Adilson Júnior detalha desafios e fala sobre relação porto-cidade em Santos

Presidente da Câmara de Vereadores de Santos analisa os impactos dos investimentos na cidade e a controvérsia sobre o terminal portuário. 

O PodInfra — podcast da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos — desta semana conta com a participação do presidente da Câmara de Vereadores de Santos, o radialista Adilson Júnior. 

Em um bate-papo leve e repleto de informações, o parlamentar abordou sua trajetória, que culminou em seu quinto mandato como vereador da cidade. Durante a conversa, Adilson Júnior falou sobre sua história pessoal, os desafios e as oportunidades que se apresentam para Santos, especialmente na complexa relação entre a cidade e seu gigantesco porto, além das bandeiras de seu mandato. 

“Sou um eterno sonhador. Quando ingressamos na vida pública e colocamos nosso nome à disposição, trazemos os sonhos de outras pessoas e a possibilidade de torná-los realidade. Isso sempre me encorajou. Estou no meu quinto mandato, comecei bem cedo em Santos, fui eleito com 28 anos, sendo por duas vezes o mais jovem da Câmara de Santos e, portanto, tive a oportunidade de acompanhar grandes evoluções da cidade”, afirmou. 

Segundo o vereador, sua entrada na política foi impulsionada pela vivência de problemas reais na Zona Noroeste de Santos, como as invasões de água da chuva nas residências. A experiência no rádio, onde não apenas falava, mas ouvia a população, consolidou sua visão de transformar anseios em realizações. Para Adilson Júnior, a política é tão apaixonante quanto o rádio, pois ambos exigem constante adaptação e solução de problemas, mantendo-o sempre na busca de fazer mais e melhor. 

Porto-Cidade 

A relação porto-cidade foi um dos temas centrais do bate-papo. Adilson Júnior destacou a constante discussão sobre o Porto na Câmara de Santos, evidenciada pela existência de uma comissão permanente dedicada ao tema. Para ele, a cidade, sendo uma ilha com o maior porto da América Latina, enfrenta um desafio paradoxal: como conciliar o crescimento portuário, que impulsiona a economia e a arrecadação de ISS, com a necessidade de planejar e proteger o convívio social e ambiental dos moradores. 

O vereador observou que, embora a relação porto-cidade tenha melhorado significativamente nos últimos anos — com a autoridade portuária buscando maior diálogo com os gestores locais —, essa melhora é relativamente recente. 

Medidas como os Estudos de Impacto de Vizinhança (EIVs) e os Termos de Compromisso de Recuperação Ambiental (TRINCs) têm incentivado a iniciativa privada a investir na cidade, promovendo a sinergia entre atores públicos e privados. Como exemplo, ele citou a construção de uma policlínica em um bairro de baixo IDH por uma empresa portuária, demonstrando que a relação vai além da logística e alcança a esfera social e de empregabilidade. 

Um dos grandes desafios de Santos mencionados foi a questão das palafitas. O vereador destacou o projeto “Parque Palafitas”, uma iniciativa em parceria com o Estado para regenerar essas regiões, oferecendo infraestrutura e novas habitações no mesmo ecossistema, com um forte conceito ambiental, sem remover os moradores. 

Entre os desafios futuros para Santos, Adilson Júnior apontou a busca pelo equilíbrio entre as atividades portuárias e a qualidade de vida urbana, a erradicação das palafitas, a melhoria da saúde pública — atualmente, 52% da população é atendida pelo SUS, e há a construção de um hospital pediátrico em andamento — e a educação, com o objetivo de ampliar o acesso a escolas em tempo integral, especialmente para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. 

As bandeiras de seu mandato incluem a pioneira inclusão de símbolos do autismo em filas preferenciais e veículos, a autorização para presença de pets nas praias de Santos e o direcionamento de emendas para entidades de educação e inclusão. No terceiro mandato como presidente da Câmara, Adilson Júnior implementou placas fotovoltaicas para energia limpa no prédio e está reformando a histórica Escola Acácio de Paula Leite, visando ampliar a Escola do Legislativo e Cidadania e capacitar jovens e cidadãos. 

Durante a entrevista, o presidente da Câmara de Vereadores de Santos expressou otimismo, mas também preocupação com o volume de investimentos previstos para a cidade nos próximos cinco a dez anos. O parlamentar enfatizou a necessidade de planejamento conjunto entre os entes federativos, para que os investimentos não se transformem em problemas, especialmente em uma cidade-ilha de acessos limitados. 

Sobre a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), ou “Porto Indústria”, Adilson Júnior mostrou-se entusiasta. Ele defendeu que, embora Santos não disponha de uma universidade pública expressiva, limitando o desenvolvimento tecnológico local, a ZPE é fundamental para agregar valor às cargas que atualmente apenas transitam pelo porto. 

“É claro que ela tem uma característica de preservação ambiental, mas há uma parte que poderia já ter sido explorada. E aí vem o otimismo em relação à ZPE ou ao Porto Indústria. Estamos próximos de Cubatão, que viveu no passado uma realidade que não deseja mais viver, ou seja, a de uma indústria poluidora. Quando se falava em Porto Indústria, as pessoas logo remetiam àquela imagem das chaminés soltando fumaça, mas não é disso que se trata. Penso que a sociedade começa a compreender isso, e acredito que avançaremos significativamente nessa relação Porto-Indústria”, argumentou. 

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