AgroPortos 2026: Frentes Parlamentares unem agro e infraestrutura em busca de soluções logísticas

Encontro entre FPPA e FPA estabelece agenda comum para modernizar infraestrutura logística e aumentar competitividade brasileira 

O Brasil, potência agroexportadora com safra projetada em mais de 350 milhões de toneladas de grãos para 2025/26, enfrenta gargalos logísticos que elevam custos em até 30% do valor das commodities, superando competidores globais. Mais de 60% da malha rodoviária apresenta deficiências, o transporte rodoviário responde por 65% do escoamento agropecuário, há déficit de armazenagem superior a 100 milhões de toneladas e ocupação de berços portuários acima de 85% em períodos de pico. 

Nesse contexto, a Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) promoveram, nesta quarta-feira (8 de abril), o AgroPortos 2026. O encontro teve como objetivo diagnosticar e estabelecer ações legislativas e administrativas concretas. 

A cerimônia de abertura foi conduzida por Mauro Sammarco, presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI). O evento contou com a presença de autoridades como Valter Luís de Souza, diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional do Transporte (CNT); Mário Antônio Pereira Borba, presidente da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); deputada federal Daniella Reinehr, vice-presidente de Articulação Política da FPPA; deputado federal Tião Medeiros, membro da FPA e da FPPA; e deputado federal Arthur Maia, vice-presidente da região Nordeste da FPPA. 

Em sua intervenção, Mauro Sammarco agradeceu a todos os presentes e destacou a relevância do encontro. “Agradeço a todos os parlamentares, especialistas e representantes do setor que se uniram hoje aqui. Essa aproximação entre a FPPA e a FPA é fundamental para fortalecer o agronegócio e o setor de infraestrutura de transportes. Juntos, podemos integrar modais, qualificar acessos portuários e ampliar a armazenagem, criando segurança jurídica que atraia investimentos privados e otimize recursos públicos, garantindo competitividade ao Brasil no mercado global.” 

A deputada federal Daniela Reinehr, vice-presidente de Articulação Política da FPPA, defendeu a desburocratização como prioridade para atrair investimentos ao país. Ela apontou o contraste entre a elevada eficiência nas propriedades rurais e os entraves logísticos externos, que encarecem a produção agropecuária. 

“Precisamos simplificar processos e garantir segurança institucional e legislativa para tornar o Brasil mais atrativo. O grande problema está na diferença entre a eficiência dentro da porteira, nas propriedades rurais, e as dificuldades fora dela, com infraestrutura e logística precárias. Esses gargalos geram custos de produção em torno de 30%, como se corrêssemos com um piano nas costas em uma corrida global.” 

Reinehr destacou a presença brasileira nos mercados globais mais rigorosos, atribuindo-a à diversidade produtiva e ao potencial de expansão do setor. Reforçou a necessidade de integração logística e parcerias público-privadas para superar esses desafios. 

“Apesar disso, nossos produtos estão nos mercados mais exigentes, graças à diversidade produtiva incrível e ao potencial de crescimento. É essencial conectar todos os modais logísticos de forma eficiente. A ligação entre o setor privado, mais ágil, e o público é vital para soluções reais. Instituições como FPA, FPPA, IBI e IPA trabalham alinhadas pelo desenvolvimento da produção, infraestrutura e logística, aliviando esse peso para tornar o Brasil mais competitivo.” 

O deputado federal Arthur Maia, vice-presidente da região Nordeste da FPPA e relator do PL 733/2025, representou o presidente Paulo Alexandre Barbosa, do IBI, e agradeceu a oportunidade de participar do evento. Descreveu o relatório em fase final sobre o setor portuário, elaborado com consultas amplas a atores do setor, consultores parlamentares, ministros e autoridades, destacando como a experiência prática complementa o conhecimento técnico. 

“Agradeço a oportunidade e parabenizo a todos por este importante evento. O relatório, quase concluído, resultou de consultas amplas com atores do porto, consultores parlamentares, ministros e autoridades. A experiência prática do setor complementa o conhecimento técnico. Propomos oferta permanente de áreas portuárias ociosas, a preço de prateleira fixo, para agilizar arrendamentos sem licitações demoradas de dois a três anos. Também simplificamos investimentos por conta e risco dos operadores, reduzindo burocracia ministerial, da ANTAQ e autoridades portuárias, sem alterar contratos de concessão.” 

Maia enfatizou o simbolismo dos portos como ponto de encontro entre terra e mar, vital para o comércio global e a competitividade brasileira, com operações que precisam ser eficientes, econômicas e inteligentes. Mencionou as colaborações com confederações da agricultura, transportes e indústria, empresas privadas, governo e portos privados em expansão, expressando convicção na modernização regulatória para o desenvolvimento nacional. 

“Portos simbolizam o encontro entre terra e mar, essenciais para o comércio global e a competitividade dos produtos brasileiros. Operações eficientes, baratas e inteligentes são cruciais. O relatório contou com colaborações de confederações da agricultura, transportes e indústria, empresas privadas, governo e portos privados, que crescem muito. Tenho convicção de que trará regulação mais moderna e eficiente, beneficiando o desenvolvimento do Brasil. Pretendo apresentá-lo até o fim do mês.” 

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