Terminal da CMPort movimenta 1,5 milhão de TEUs por ano e responde por 49% das exportações brasileiras de carne de frango; investimento de R$ 1,5 bilhão prevê nova ferrovia interna e ampliação de 195 mil m² de pátio
O Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) e a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (ABRATEC) realizaram, nesta quarta-feira (24), visita institucional ao Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), no âmbito do programa Agroporto, iniciativa conduzida pelo IBI e pela Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA).
A delegação foi recebida pelos gestores do terminal e conheceu as operações e os planos de expansão do TCP, que pertence integralmente ao portfólio do China Merchants Port Holdings Group (CMPort), grupo chinês com presença em mais de 50 portos ao redor do mundo.
O presidente da ABRATEC, Caio Morel, e o diretor administrativo e financeiro do IBI, Nicola Margiotta Júnior, participaram da visita e concederam entrevista ao término das atividades.
O terminal e sua posição no agro brasileiro
O TCP é o maior terminal de contêineres do Sul do Brasil, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). Em 2024, o terminal movimentou 1,5 milhão de TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. De janeiro a outubro de 2025, já havia registrado 1,376 milhão de TEUs.
A relevância do TCP para o agronegócio vai além do volume total. O terminal é o maior corredor de exportação de proteína animal congelada do Brasil: cerca de 40% de toda a produção nacional de carnes de frango, suíno e bovino passa por Paranaguá. No caso da carne de frango, a participação é de 49% de tudo que o Brasil embarca para o exterior.
Nicola Margiotta Júnior descreveu a operação após a visita. “Aqui em Paranaguá, no TCP, eles transportam e exportam muita celulose e derivados de carne — suínos e aves. Uma empresa que tem uma relevância muito grande para o estado do Paraná na questão logística e exportadora do país. Foi uma visita muito interessante e muito importante”, disse.
Investimento de R$ 1,5 bilhão da CMPort
Em novembro de 2025, a CMPort anunciou, em Xangai, um investimento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão para expandir e modernizar o TCP. O anúncio ocorreu durante uma missão de dirigentes da Portos do Paraná e do Governo do Estado à China. O plano prevê a incorporação de mais de 195 mil metros quadrados de áreas adjacentes ao terminal — atualmente subutilizadas ou com contratos próximos do vencimento — além de melhorias nos acessos rodoviários e ferroviários e a aquisição de novos equipamentos de cais e pátio.
Também estão incluídos na expansão a modernização dos berços 215, 216 e 217, onde atracam os navios de contêineres, e a extensão dos trilhos para os guindastes STS Super Post-Panamax, que operam com embarcações das novas gerações de navios porta-contêineres.
“Estamos confiantes no Brasil e, por isso, estamos aumentando nossos investimentos”, afirmou Xu Song, CEO da CMPort, no momento do anúncio.
Nova linha férrea interna e ganho de produtividade
Durante a visita, os gestores do TCP apresentaram à delegação os planos de implantação de uma nova linha férrea interna ao terminal. Segundo Margiotta Júnior, o investimento está projetado para elevar a produtividade do terminal em 20%.
“Os gestores nos relataram as perspectivas de investimento no terminal, entre elas uma nova linha férrea interna no próprio terminal, que vai aumentar em 20% a produtividade. Isso significa mais desenvolvimento, mais exportação, mais geração de emprego e renda regional e crescimento do país”, disse.
A nova ferrovia interna complementa os investimentos já anunciados no acesso ferroviário externo e representa uma mudança na dinâmica de movimentação de cargas dentro do pátio do terminal, reduzindo a dependência de caminhões para os deslocamentos internos.
A visão da ABRATEC sobre o terminal
O presidente da ABRATEC, Caio Morel, destacou a escala das operações do TCP e o contexto da visita dentro do programa Agroporto.
“Estamos aqui no TCP dentro do programa Agroporto, que está sendo capitaneado pelo IBI e pela Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos. O TCP é um dos maiores terminais de contêineres do Brasil, com movimentação de mais de um milhão de TEUs. Pudemos ver a dinâmica operacional e todo o volume que esse terminal movimenta”, disse Morel.
A ABRATEC reúne os principais terminais privados de contêineres do Brasil e é associada ao IBI. A visita ao TCP integra um ciclo de visitas a terminais estratégicos para o agronegócio, com o objetivo de identificar gargalos, oportunidades e pautas para a atuação do IBI e da FPPA junto ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo.
O programa Agroporto
O Agroporto é uma iniciativa do IBI e da FPPA que mapeia a relação entre a infraestrutura portuária e o escoamento da produção agrícola brasileira. O Brasil é o maior exportador mundial de soja, frango e açúcar, e os portos respondem por mais de 90% do volume de comércio exterior do país em peso.
A visita a Paranaguá antecede uma agenda em Curitiba, onde a delegação também cumpriu compromissos institucionais. Paranaguá é o segundo maior porto do Brasil em movimentação total e o principal ponto de saída de grãos e proteína animal do Sul e do Centro-Oeste do país.
O programa Agroporto tem como finalidade levar os associados e parlamentares da FPPA a conhecer as operações in loco, produzir diagnósticos técnicos e subsidiar a pauta legislativa com dados reais das instalações portuárias. A visita ao TCP em junho de 2026 compõe esse ciclo de imersão no setor. No Paraná, o complexo portuário de Paranaguá e Antonina é o principal ponto de escoamento do agronegócio do Sul e do Centro-Oeste — a logística do estado responde por parcela relevante da balança comercial brasileira e está diretamente ligada à competitividade das cadeias de soja, milho e proteína animal no mercado externo.