BioRota: Copersucar transforma logística do açúcar com biometano e projeta expansão para todas as usinas

Projeto completa dois anos com 70 caminhões, 11 milhões de km rodados e redução de 8 mil toneladas de CO₂; CEO prevê que modelo será levado às 42 usinas associadas 

A Copersucar, líder global na comercialização de açúcar e etanol e associada do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), apresentou nesta quarta-feira (13) o BioRota, projeto logístico que substitui diesel por biometano no transporte de açúcar das usinas do interior paulista até o terminal de exportação no porto de Santos. 

Com dois anos de operação, a iniciativa já acumula resultados expressivos e aponta para um plano ambicioso de descarbonização do transporte pesado no Brasil. 

Desde abril de 2024, o BioRota mobilizou 70 caminhões movidos a biometano, realizou mais de 13 mil viagens e percorreu 11 milhões de quilômetros. Foram transportadas aproximadamente 600 mil toneladas de açúcar até o Terminal Açucareiro da Copersucar (TAC), em Santos. A substituição do diesel pelo combustível renovável evitou a emissão de 8 mil toneladas de CO₂, o equivalente ao carbono capturado por 380 mil árvores em um ano. 

O biometano utilizado no projeto é produzido a partir da vinhaça, resíduo da produção de etanol, por meio de biodigestão. O combustível renovável reduz em mais de 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel, segundo a companhia. 

Durante a cerimônia de apresentação do BioRota, o CEO da Copersucar, Tomás Manzano destacou que o projeto nasceu da constatação de que o Brasil já dispõe das condições técnicas e econômicas para substituir o diesel no transporte de cargas pesadas sem depender de tecnologias futuras. 

“A matriz de transportes de cargas no Brasil é fortemente dependente do modal rodoviário, que utiliza principalmente o diesel. O que fizemos foi olhar para os resíduos que já geramos — a vinhaça das usinas de etanol — e transformá-los em combustível. O biometano já é uma realidade hoje, economicamente viável e com tecnologia corrente e atual. Isso não é algo para ser desenvolvido daqui a alguns anos; já está em pleno desenvolvimento e operação”, afirmou Manzano. 

O projeto foi viabilizado por uma parceria entre a Copersucar e a transportadora Reiter, pioneira em frotas de caminhões movidos a gás. Atualmente, outras quatro transportadoras integram a iniciativa. O abastecimento ocorre em duas unidades de produção de biometano da usina Cocal: uma em Narandiba (SP), com capacidade de até 25 mil m³/dia, e outra em Paraguaçu Paulista (SP), com capacidade de até 60 mil m³/dia durante a safra. A operação conta ainda com o suporte da Scania no fornecimento de caminhões e motores adaptados ao gás renovável. 

Manzano também contextualizou o BioRota dentro da estratégia mais ampla da Copersucar para a transição energética, que inclui a produção de biometano em escala industrial e o desenvolvimento de novos mercados. 

“A Copersucar completa 67 anos operando na conexão do campo com o mundo. Temos quatro pilares de negócio: açúcar, etanol — no Brasil e nos Estados Unidos —, soluções e tecnologia para transição energética, e energia elétrica. O biometano entra exatamente no centro dessa estratégia. Nosso objetivo é nos tornarmos o maior produtor, operador e comercializador de biometano do Brasil, com a ambição de que todas as 42 usinas associadas passem a produzir e utilizar esse combustível em suas operações nos próximos anos”, disse o executivo. 

Para viabilizar essa expansão, a Copersucar avalia investimentos em infraestrutura de distribuição de biometano — incluindo a instalação de postos de abastecimento ao longo de corredores logísticos estratégicos — e o desenvolvimento de uma plataforma aberta que permita a adesão de outras empresas e transportadoras ao modelo. 

A companhia projeta que a produção nacional de biometano pode mais do que triplicar até 2027, consolidando o Brasil como protagonista na descarbonização do transporte pesado. 

Enquanto a expansão do BioRota avança, o Terminal Açucareiro da Copersucar (TAC), em Santos, já opera no centro dessa logística. Inaugurado em junho de 1998, o terminal completa 28 anos de operação e é considerado o maior e mais eficiente terminal de açúcar a granel do país. 

Rodrigo Lima, diretor de logística e operações da Copersucar, recebeu os presentes no evento e destacou o papel da estrutura na conexão entre as usinas associadas e o mercado global. 

“O TAC começou suas operações em junho de 1998, há 28 anos. Fomos pioneiros na operação de açúcar a granel em larga escala no Brasil. Hoje, somos o maior e melhor terminal de açúcar do país, com capacidade para movimentar 8,5 milhões de toneladas por safra. Recebemos uma média de 14 navios por mês, com picos de 17 a 18 embarcações, e processamos cerca de 350 caminhões por dia, podendo chegar a 600 nos dias de maior movimento. Já batemos recorde mundial de embarque de açúcar em um único navio, com 109 mil toneladas carregadas em uma embarcação do tipo Cape Town”, afirmou Lima. 

Com cinco armazéns e capacidade estática de aproximadamente 300 mil toneladas, o TAC recebe a produção por ferrovia e por rodovia, nesta última impulsionada pelos caminhões do BioRota. A operação portuária atende navios dos tipos Panamax, com 70 mil toneladas, e Babycape, com capacidade entre 80 mil e 120 mil toneladas. 

A combinação entre a inovação no transporte rodoviário — com o uso do biometano — e a eficiência logística do terminal de Santos coloca a Copersucar em posição estratégica para ampliar sua participação na transição energética global. A companhia, que faturou entre 65 e 70 bilhões de reais no último ano e produziu 16 milhões de toneladas de açúcar e 13 bilhões de litros de etanol, projeta no BioRota um modelo replicável para descarbonizar não apenas sua própria operação, mas servir de referência para todo o setor de transporte de cargas no Brasil. 

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