Painel no Maranhão Day reuniu gestores e investidores para debater recordes de movimentação no Porto do Itaqui, novos terminais de fertilizantes e o primeiro plano de descarbonização portuária do país.
O Maranhão Day, evento realizado em Brasília pela Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e pelo Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), dedicou o quarto painel da programação ao debate sobre o Complexo Portuário do Maranhão. Sob o tema “Crescimento, sustentabilidade e inovação”, o encontro reuniu representantes da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) e de empresas que operam no Porto do Itaqui para apresentar resultados operacionais e planos de expansão para os próximos anos.
O debate foi mediado por Mário Povia, diretor-presidente do IBI, que destacou a relevância do porto maranhense para a logística nacional. Em sua intervenção, Povia ressaltou a importância da integração entre os setores público e privado para a manutenção da competitividade do complexo.
“O Porto do Itaqui é um exemplo de gestão que combina o investimento público com a eficiência da iniciativa privada. Este painel demonstra que o crescimento da movimentação de cargas no Maranhão ocorre de forma planejada, com foco na modernização da infraestrutura e no cumprimento de metas de sustentabilidade que servem de referência para o setor portuário brasileiro”, afirmou.
Recordes de movimentação
Arthur Barros, diretor de planejamento da EMAP, apresentou os dados de desempenho do Porto do Itaqui, que encerrou o ano de 2025 com a marca de 36,8 milhões de toneladas movimentadas. O volume representa um recorde para o terminal, impulsionado pela exportação de grãos e pela importação de fertilizantes e combustíveis. Barros detalhou o cronograma de investimentos públicos, com destaque para a conclusão do Berço 98 e os processos de licitação dos terminais IQI 15 e IQI 16.
Segundo o diretor, a estratégia de expansão do porto está fundamentada na diversificação da matriz de cargas e na ampliação da capacidade de recepção de navios de grande porte. O planejamento inclui a consolidação de parcerias com terminais privados, como o Tegram e a COPI, que realizam investimentos em silos e sistemas de correias transportadoras para aumentar a velocidade das operações de carga e descarga.
“O Porto do Itaqui atingiu um patamar de movimentação de 36,8 milhões de toneladas em 2025, o que consolida nossa posição como um dos principais eixos logísticos do país. Esse resultado é fruto de um planejamento que envolve a entrega de novas infraestruturas, como o Berço 98, e a atração de novos investimentos privados por meio de leilões de áreas estratégicas, garantindo que o crescimento ocorra com previsibilidade e segurança operacional”, ressaltou.
Responsabilidade social
A participação da Vale Base Metals no complexo portuário foi detalhada por André Teixeira, gerente de operações e manutenção logística da companhia. O executivo informou que 75% de todo o concentrado de cobre exportado pelo Brasil passa pelo Porto do Itaqui. A empresa possui planos para triplicar a movimentação desse minério, passando de 1 milhão para 3 milhões de toneladas anuais nos próximos períodos.
Teixeira também apresentou as inovações tecnológicas implementadas nas operações da Vale no Maranhão, como o uso de correias transportadoras com materiais resistentes ao fogo e sistemas automatizados de monitoramento. No campo ambiental, o gerente destacou que a unidade de logística opera com 100% de tratamento de efluentes industriais e realiza o monitoramento constante da qualidade do ar e da água na região de influência do porto.
“Nossa operação no Maranhão é estratégica para a exportação de cobre, respondendo por três quartos do volume nacional desse minério. Estamos em uma fase de expansão para elevar nossa capacidade de 1 milhão para 3 milhões de toneladas, investindo em tecnologias que aumentam a segurança, como as correias resistentes a incêndios, e mantendo o compromisso com o tratamento total de efluentes e o desenvolvimento das comunidades de Vila Maranhão e Vila Conceição”, declarou.
Logística de fertilizantes e integração ferroviária
Guilherme Eloy, CEO da COPI (Companhia Operadora Portuária do Itaqui), abordou a transformação do perfil de importação de fertilizantes no estado. Com a construção de um terminal de última geração, a produtividade das descargas subiu de 3 mil para 20 mil toneladas por dia. Esse incremento permitiu que o Porto do Itaqui passasse a receber navios da classe Panamax, que hoje representam 30% das embarcações que trazem fertilizantes para o terminal.
A integração com o modal ferroviário foi apontada por Eloy como um fator determinante para a redução de custos e de impactos ambientais. Atualmente, 30% da carga movimentada pela COPI é transportada por trens, o que resulta em uma redução de 85% nas emissões de dióxido de carbono em comparação ao transporte rodoviário. O executivo mencionou ainda a obtenção de certificações ISO e o investimento em programas de capacitação para os colaboradores.
“A modernização do terminal de fertilizantes permitiu elevar a produtividade diária de 3 mil para 20 mil toneladas, possibilitando a operação de navios Panamax no Itaqui. Além do ganho de escala, priorizamos a logística ferroviária, que já atende 30% da nossa demanda e reduz as emissões de carbono em 85%, demonstrando que a eficiência operacional e a preservação ambiental são pilares indissociáveis do nosso modelo de negócio”, pontuou.
Plano de descarbonização portuária
A gestão ambiental do Porto do Itaqui foi o tema central da apresentação de Luane Lemos, gerente de meio ambiente da EMAP. O porto maranhense é o primeiro terminal público do Brasil a desenvolver um Plano de Descarbonização estruturado, elaborado em parceria com a Fundación Valencia Port. O documento estabelece metas para a redução de emissões de gases de efeito estufa e identifica oportunidades de negócios ligadas à economia verde.
Lemos explicou que a descarbonização é uma exigência crescente do mercado internacional, com novas regulamentações da Organização Marítima Internacional (IMO) e a criação de barreiras verdes por blocos econômicos. O plano do Itaqui contempla a implementação de sistemas de Onshore Power Supply (OPS), que permitem que os navios desliguem seus motores auxiliares enquanto estão atracados, e o estudo para o fornecimento de combustíveis alternativos, como o hidrogênio verde.
“Desenvolvemos o primeiro Plano de Descarbonização para um porto público no Brasil por entendermos que a sustentabilidade é um ativo de competitividade. Estamos nos preparando para as novas exigências da IMO e para a oferta de combustíveis de baixo carbono. O objetivo é transformar o Itaqui em um hub de energia limpa, utilizando tecnologias como o OPS para reduzir as emissões durante a permanência dos navios no cais e atrair linhas de financiamento climático”, explicou.
Inovação e transformação digital
O encerramento do painel tratou dos avanços tecnológicos com Gabriel Mateucci, gerente de inovação da EMAP. O Porto do Itaqui desenvolve um programa que visa transformar o Maranhão em um centro de conhecimento para o setor portuário. Atualmente, o complexo conta com mais de 40 projetos de transformação digital em andamento, muitos deles desenvolvidos por estagiários e jovens talentos locais.
Mateucci destacou a utilização de inteligência artificial em ferramentas como o “Maré Certa”, que realiza cálculos precisos de maré para otimizar as janelas de atracação, e assistentes de IA voltados para a área jurídica e de conformidade. O Porto do Itaqui mantém parcerias de pesquisa com universidades que envolvem mais de 300 pesquisadores em 40 projetos distintos. No âmbito social, o programa “Jovem Tech” oferece treinamento em programação para jovens de comunidades vizinhas ao porto.
“Nosso Programa de Inovação busca converter o Porto do Itaqui em um polo de tecnologia e conhecimento portuário. Com mais de 40 projetos digitais e parcerias com universidades que mobilizam 300 pesquisadores, estamos aplicando inteligência artificial para otimizar operações e cálculos de maré. Além disso, investimos no futuro da região por meio do Jovem Tech, que capacita jovens em programação, unindo avanço tecnológico e impacto social”, argumentou.