Deputado Tião Medeiros destaca gargalos logísticos e oportunidades na supersafra do agronegócio

Na abertura do Evento Agroportos, o parlamentar, membro da FPPA e da FPA, apresentou dados sobre a produção recorde de grãos e defendeu investimentos em infraestrutura para evitar perdas na competitividade brasileira. 

O deputado federal Tião Medeiros, integrante da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), realizou uma palestra na cerimônia de abertura do Agroportos 2026 com uma análise sóbria dos desafios logísticos enfrentados pelo agronegócio brasileiro. 

Em sua apresentação, o parlamentar enfatizou a relevância do agronegócio na economia nacional, que responde por um terço do PIB, um terço dos empregos formais e cerca de 50% das exportações. 

“O agronegócio brasileiro corresponde já a um terço do PIB da economia. Corresponde também a um terço dos empregos formais do Brasil e praticamente 50% das exportações do país. Ou seja, a metade do que se exporta está ligada ao agronegócio brasileiro”, destacou Medeiros. O parlamentar apontou os gargalos logísticos que afetam mais de um trilhão de reais em exportações, unindo as agendas da FPPA e da FPA em prol da infraestrutura portuária e aeroportuária. 

O deputado traçou um panorama da evolução da produção agrícola. Em 2011/2012, o Brasil colheu 200 milhões de toneladas de grãos; para a safra 2025/2026, estima-se o recorde de 342,7 milhões a 350 milhões de toneladas. 

“Esse ano, na safra 25/26, a gente estima que supere a casa dos 350 milhões de toneladas. Parêntese importante: para quem acha que isso é muito, o Brasil ainda tem um potencial sem supressão vegetal, sem desmatamento de área nova. Apenas de conversão de área de pastagem em agricultura, de pelo menos dobrar territorialmente o que a gente tem”, explicou. Hoje, o país cultiva cerca de 90 milhões de hectares, com potencial para mais 180 milhões em pastagens convertíveis, sem necessidade de novas áreas desmatadas. 

Tião Medeiros alertou para o risco de colapso no escoamento, com impactos na competitividade e nos preços dos alimentos. O problema central, segundo ele, é a dependência excessiva do modal rodoviário, que concentra investimentos abaixo de 2% do PIB – contra 13% na China, 5% na Índia e 4% nos países da OCDE. A malha rodoviária pavimentada tem densidade baixa, de 21,1 km por mil km², comparada a 437,8 km no Paraguai ou 447 km nas Filipinas. A frota de veículos pesados é envelhecida: 23,2% fabricados antes de 2000 e 15,7% entre 2001 e 2010, conforme dados da CNT de 2023. 

Um ponto crítico foi a capacidade de armazenagem, que caiu de 92,8% da safra em 2005 para 63,3% em 2025. Dentro das propriedades rurais, o índice é ainda menor, de 16,8%. 

“Como a agricultura cresceu muito, a armazenagem estacionou. Não conseguiu acompanhar o campo. O produtor, quando ganha dinheiro, amplia a sua área. Isso quer dizer que crescemos na produção e a armazenagem ficou em 16% a 17%. Quando há um momento da colheita, ele precisa escoar, não tem como segurar. Há uma pressão em cima do frete, dos terminais e do contratante de navio”, analisou. Comparou o Brasil aos Estados Unidos (mais de 600 milhões de toneladas produzidas com capacidade ociosa), União Europeia, China e Argentina, todos com índices superiores. 

Ineficiências 

O custo da demurrage – multas por atraso em navios – ilustra a ineficiência: US$ 2,3 bilhões em 2024, 15% acima de 2023. “Se nós tivéssemos infraestrutura de cais suficiente, poderíamos eliminar 100% desse custo do produtor, importador e exportador brasileiros”, defendeu Medeiros. O deputado citou o Arco Norte como exemplo de progresso recente, mas cobrou mais concessões e Terminais de Uso Privado (TUPs). Referenciou o PL 733/2025, relatado pelo deputado Arthur Maia, que propõe reperfilamento de investimentos, maior flexibilidade para o setor privado e vinculação à performance, sem anuência prévia da ANTAQ ou TCU. 

Entre as soluções estratégicas, o parlamentar defendeu investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias e portos; integração multimodal; melhoria de acessos portuários; desburocratização; incentivo à armazenagem privada, associativa e cooperativa; e revisão da regulação de frete. 

“Precisamos de uma medida legislativa orçamentária e planejamento futuro de política pública de incentivo à armazenagem. Veja o quão estratégico passa a ser a armazenagem como estratégia de país”, argumentou. Ele mencionou pautas estruturantes como a Lei da Reciprocidade Ambiental, de sua autoria, que impede sanções comerciais por normas ambientais menos rigorosas em outros países. 

Ao final, Medeiros expressou otimismo com a expansão do agronegócio e da mineração, mas sonhou com um Brasil mais competitivo. “Como brasileiro, eu tenho um sonho de ver o nosso país avançar nessas pautas. Quem aqui nunca viajou numa rodovia nos Estados Unidos ou na Europa e pensou: por que não podemos ter isso? O Agroportosnasce com esse propósito de nos unirmos em favor de desafios comuns de logística que afetam o agronegócio, um dos maiores contratantes de frete no Brasil.” 

A apresentação completa do parlamentar está disponível no botão abaixo. Instituir diálogo técnico permanente entre Parlamento, setor produtivo e operadores. 

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