relatório aponta para avanços expressivos na incorporação de práticas sustentáveis pelos portos organizados brasileiros
A diretoria do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) participou, nesta quarta-feira (30), da cerimônia de divulgação da Pesquisa de Fortalecimento da Relação Porto-Cidade para a Promoção da Resiliência Climática e Sustentabilidade, promovida pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).
O relatório do estudo revelou avanços expressivos na incorporação de práticas sustentáveis pelos portos organizados brasileiros e destacou a crescente adesão à Agenda 2030 da ONU e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
O diagnóstico também demonstrou que diversas iniciativas alinhadas às prioridades climáticas e ambientais já estão em andamento, ainda que algumas não estejam diretamente vinculadas à Agenda 2030.
De acordo com a diretora da ANTAQ, Flávia Takafashi, responsável pela apresentação dos resultados, o levantamento é fundamental para dimensionar a realidade climática dos portos do país.
“Esse é mais um passo em prol da sustentabilidade. A ANTAQ vem promovendo diversas medidas no âmbito ambiental, em ações coordenadas que garantem mais eficiência ao objetivo de tornar os portos cada vez mais sustentáveis”, destacou Takafashi.
A pesquisa foi estruturada em dois blocos. O primeiro avaliou o nível de maturidade dos portos brasileiros em relação ao conhecimento e à adesão à Agenda 2030; o segundo, os avanços na implementação de três ODS prioritários: ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), ODS 13 (Ação contra a Mudança Global do Clima) e ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação).
Ao todo, participaram do levantamento 33 portos públicos e 20 autoridades portuárias, com informações coletadas em novembro do ano passado. O estudo integrou a Agenda Plurianual de Estudos e foi elaborado em cooperação com a agência alemã de cooperação internacional GIZ, no âmbito do Projeto PROADAPTA Brasil.
Entre os principais resultados, constatou-se que 89,47% dos participantes já identificaram os ODS mais relevantes ao seu contexto e 57,9% dos portos estabelecem metas claras para atingi-los. Os objetivos mais abordados foram o ODS 14 (Vida na Água), ODS 11 (Cidades Sustentáveis) e ODS 13 (Ação Climática).
No bloco sobre implementação dos ODS, destacaram-se iniciativas para a harmonização do tráfego entre veículos de cargas e urbanos, ações de proteção do patrimônio natural e histórico portuário (79%) e o baixo índice de áreas vulneráveis a desastres naturais nas áreas de influência portuária (74%).
Apesar dos avanços, o diagnóstico indicou desafios, especialmente quanto à justiça climática, resiliência das moradias e comunidades vulneráveis próximas ao entorno dos portos, além da necessidade de estabelecer metas mais abrangentes para a implementação da Agenda 2030.
Diante desse panorama, a ANTAQ listou seis recomendações aos portos públicos, entre elas: fortalecer a governança comunitária, investir em capacitação sobre ODS, ESG e clima para equipes, fornecedores e comunidades, promover o engajamento no tema, integrar sustentabilidade aos instrumentos de planejamento urbano, criar sistemas de monitoramento de ações sustentáveis, e buscar parcerias estratégicas para resiliência climática.
A pesquisa reforçou ainda que questões como mobilidade urbana e preservação do patrimônio portuário já estão consolidadas, mas que é preciso avançar na construção de cidades portuárias mais resilientes e justas, fortalecendo o papel dos portos na agenda de sustentabilidade no país.