Em mesa redonda promovida pelo IBI Social, líderes e profissionais debatem desafios, conquistas e a urgência de maior representatividade feminina no setor de infraestrutura
O Instituto Brasileiro de Infraestrutura Social (IBI Social) promoveu, nesta quinta-feira (11), uma mesa redonda intitulada “Elas Transformam”. O objetivo foi discutir a inserção de mulheres no setor de infraestrutura de transportes. O evento, que celebrou seis meses do IBI Social, destacou a força crescente e o papel transformador das mulheres, ressaltando a necessidade de fortalecer sua presença em todos os níveis, da operação à liderança estratégica.
Eliane Sammarco, presidente do IBI Social e idealizadora do encontro, abriu os trabalhos enfatizando a rápida evolução do instituto e a importância do relacionamento construído entre as participantes para superar os desafios do setor. Ela destacou a necessidade de união e colaboração feminina:
“Acredito firmemente que o que as mulheres mais necessitam é se unir e somar esforços, pois somos capazes de grandes feitos. Recentemente, tive um encontro inspirador com Mariana Pescatori, Flávia Takafashi e Gabriela da ATP, e foi fascinante observar como elas vibravam ao discutir seus trabalhos, mesmo em um ambiente descontraído. Essa energia reflete o que estamos construindo aqui: um espaço onde a força do relacionamento e a colaboração se tornam os pilares para o avanço. É impossível para uma de nós montar algo ou progredir sem o apoio mútuo, e é essa riqueza de interconexão que nos impulsiona a acreditar que, juntas, podemos de fato transformar o cenário atual.”
Mauro Sammarco, Presidente do Conselho de Administração do IBI, complementou, salientando que o instituto busca ir além da discussão sobre equidade, partindo para a ação. “Já temos que ir para um outro estágio, para tomar as ações para que tenhamos mais mulheres ocupando as posições, tanto das empresas quanto do governo”, afirmou, destacando o IBI como ferramenta para esse desenvolvimento.
Mário Povia, diretor-presidente do IBI, reforçou que o Instituto, com seus 14 comitês temáticos, aborda pautas como a meritocracia feminina e o primeiro emprego. “Vocês não estão aqui porque vocês são mulheres”, disse Mário, “esse espaço ocupado, muito bem ocupado, tem muita meritocracia no meio. Agora, é claro, quando você vê um painel lá de sete, oito homens, você fala que não é possível que não tenha duas ou três mulheres.”
Nicola Margiotta, diretor-administrativo e Financeiro do IBI, descreveu Eliane Sammarco como um “átomo” de energia e ressaltou que o IBI se baseia no pertencimento e na participação ativa. Ele observou a evolução da presença feminina no setor portuário, com mulheres competentes em posições estratégicas, afirmando: “Eu costumo também dizer que o IBI é pertencimento. As pessoas, os associados e os parceiros que estão aqui, eles pertencem ao IBI.”
Paola Comim, diretora de Relações Internacionais do Instituto Global SG, compartilhou sua trajetória audaciosa e a importância de não buscar validação externa. “Eu achei que falta nessa questão das mulheres, assim, a gente sempre perguntar, a gente precisar validar. Eu nunca fui essa pessoa e eu nunca vou ser essa pessoa, porque a gente, às vezes, não vai escutar o que a gente quer ouvir e as pessoas nunca querem você melhor do que elas”, pontuou.
Núria Bianco, diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export, criticou a dificuldade de incluir mulheres em painéis e cargos-chave, demandando a força política do IBI para cobrar indicações femininas, especialmente após a lei que exige 30% de mulheres nos cargos de CONSAD. “Eu acho que a gente tem que começar a agir como um todo também para cobrar que essas indicações políticas sejam de mulheres”, declarou.
Rafaela Gomes, Coordenadora-Geral de Sustentabilidade no Ministério de Portos e Aeroportos, descreveu a liderança feminina como “muito solitária” em setores masculinos, reforçando a importância de redes de apoio. Patrícia Monteiro, diretora da produtora audiovisual Cine Group, ecoou a necessidade de visibilidade para mulheres competentes.
Ana Clara, diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Grupo Arnone, enfatizou a importância de ocupar todos os espaços: “A gente tem que estar em todas. Tu quiseste vir a convite, nós vamos sim, vamos falar, a gente tem que realmente ampliar a nossa voz e onde é mais fácil, então vamos juntas.”
A contribuição de Patrícia Gravina, Diretora de Programa da Secretaria Adjunta de Infraestrutura Econômica, destacou a influência cultural no desenvolvimento de habilidades femininas essenciais:
“Acredito que ser mulher nos permite uma contribuição diferenciada, moldada por uma educação que incentiva a colaboração e o trabalho em equipe. Há uma inclinação natural para nos esforçarmos ainda mais, buscando a perfeição e evitando erros, o que acaba por desenvolver uma criatividade ímpar na resolução de problemas. Embora essas qualidades não sejam exclusivas das mulheres, há um forte componente cultural que nos leva a aprimorar esses ‘superpoderes’ – habilidades que são extremamente valiosas para funções estratégicas e para dinâmicas de grupo. Assim, a inclusão e a diversidade não são apenas uma questão de justiça para as mulheres; são um benefício para todos. Como bem observa Sandra no seu trabalho, a maior participação feminina em conselhos e lideranças enriquece o ambiente com perspectivas que antes não eram consideradas, impulsionando a inovação e a eficácia.”
Rebeca, técnica da Secretaria Nacional de Portos, abordou o apoio entre mulheres, ressaltando a importância de valorizar e não rivalizar. Ela destacou que características como ambição, vistas como qualidades masculinas, devem ser celebradas em mulheres.
Nathália Prentz, sócia da Salomão Advogados, discutiu a síndrome da impostora e a necessidade de capacitação e diálogo com homens em cargos gerenciais. “A gente precisa que eles entendam um pouco do nosso contexto, porque a gente fica falando entre nós”, enfatizou. Maíra, advogada, observou a evolução do setor portuário, que, embora mais jovem, ainda tem pouca representação feminina em diretorias.
Cristina Castro, Superintendente de ESG e Inovação da ANTAQ, compartilhou sua jornada e dedicação ao propósito social no setor: “Ao adentrar o universo portuário, que a princípio me parecia limitado, logo enxerguei uma magnitude incrível. Não era apenas o tamanho físico, mas a riqueza humana, a complexidade logística, a solidez da infraestrutura e, sobretudo, a imensa possibilidade de catalisar uma transição para um mundo mais sustentável e equitativo. Desde então, dedico-me incansavelmente à transição energética, descarbonização e, crucialmente, aos projetos sociais que se interligam a esta visão. Minha jornada me ensinou que, qualquer que seja o caminho profissional, ele invariavelmente passará por ‘portas’, e é nessas passagens que se constrói a excelência. Com 250 portos, cada um com suas singularidades e potências, encontro diariamente motivos para me apaixonar por este trabalho, vendo-o como um motor de transformação.” Cristina ainda revelou a criação da “Glória”, uma inteligência artificial que combate a violência contra mulheres, atuando em 194 países.
Maíra Nascimento, ouvidora no Ministério de Portos e auditora da CGU, defendeu políticas públicas de apoio à mulher multitarefa, mencionando a coalizão pela paternidade para ampliar a licença paterna. Ela também destacou projetos de combate ao escalpelamento e exploração sexual infantil.
Karenina, engenheira e assessora do Ministro das Cidades, criticou a falta de promoção feminina diária, mesmo com a discussão de gênero em painéis. “É a gente cobrar no nosso dia a dia de trabalho que a gente esteja sentada do lado de igual para igual”, ressaltou. Carol, chefe de gabinete da Diretoria-Geral da ANTAQ, compartilhou sua trajetória em ambientes masculinos, sua relutância inicial em levantar a bandeira feminina, mas o reconhecimento posterior da importância da representatividade.
A mesa redonda “Elas Transformam” foi um catalisador para a ação. As vozes das participantes convergiram na necessidade de transformar a indignação em iniciativas concretas, usando a força política para impulsionar a equidade e criar redes de apoio. A mensagem final é clara: a transformação do setor de infraestrutura, com a inserção plena e reconhecida das mulheres, não é apenas uma questão de justiça, mas um caminho essencial para a inovação, a criatividade e a construção de um futuro mais próspero e igualitário para todos.