ENIP 2025 discute desafios e caminhos para a competitividade nacional

O ENIP 2025, em Brasília, aborda uma visão holística de portos, cabotagem e os complexos planos de expansão para um Brasil mais integrado e sustentável.  

Representantes do Instituto Brasileiro de Infraestrutura participaram, nesta quinta-feira (25), do Encontro Nacional Indústria Porto, evento que reuniu especialistas e autoridades para debater os caminhos da logística brasileira, a exemplo do Porto de Santos, e suas conexões com as indústrias que exportam e importam commodities e produtos. 

Mário Povia foi o moderador do painel “Ampliação dos Terminais e a Integração com a Infraestrutura Terrestre entre os Estados e as Regiões Portuárias”. O debate focou na necessidade de reequilibrar a matriz de transporte brasileira. Povia destacou a importância da cabotagem para a multimodalidade e a entrega porta a porta, salientando que esse modal concorre com o rodoviário. 

A discussão ressaltou a evolução da percepção sobre os portos no Brasil. Há duas décadas, a visão era compartimentada; hoje, a compreensão é de um “complexo logístico como parte de uma engrenagem maior”. Essa mudança de perspectiva foi impulsionada pela criação da ANTAQ e pela elevação do setor à condição de ministério, com a criação da Secretaria Especial de Portos. 

O painel contou também com a participação de Luís Fernando Resano, membro do IBI e vice-presidente executivo da ABAC. Em sua fala, o comandante defendeu que a criação do “BR do Mar” possibilitou a entrada de novos players no mercado nacional. Contudo, o recente decreto publicado pelo governo, que regulamenta a lei sobre embarcações sustentáveis, segundo ele, gerou “mais dúvidas do que esclarecimentos”. 

A fala foi corroborada por Mário Povia, que defendeu uma visão de longo prazo nas políticas públicas para trazer segurança aos investimentos no setor. “Do ponto de vista da navegação, as empresas são obrigadas a se planejar, porque uma embarcação tem vida útil média de 25 anos. É impossível fazer um investimento de 40 milhões de dólares na aquisição de uma embarcação se você não tiver, minimamente, um horizonte de planejamento de como vai usar esse ativo tão valioso em um horizonte temporal tão longo.” 

Luís Fernando Resano defendeu ainda que é preciso “definir o que seria uma embarcação sustentável”, uma vez que o Brasil tem o compromisso de emissão zero até 2050 nos portos brasileiros. “Portanto, há a necessidade de desenvolver e definir combustíveis alternativos, entre eles os biocombustíveis e o etanol como grandes possibilidades, particularmente para o perfil das embarcações que atuam na cabotagem.” 

Engenharia e formação 

O painel contou com Rafael Postigio, representante da Associação Nacional das Empresas de Engenharia Consultiva de Infraestrutura de Transportes (ANETRAMS). Segundo ele, hoje os desafios de engenharia na Baixada Santista estão na multiplicidade de obras previstas no complexo portuário santista, como os viadutos na Alemoa, a margem esquerda da Perimetral, a dragagem do porto, o aeroporto no Guarujá, o túnel, a transferência do terminal de passageiros, o novo terminal de contêineres, o STS08 de granéis líquidos, a terceira descida, as obras da FIPS e o Parque Valongo. 

Rafael enfatizou a importância crucial do planejamento e a necessidade de a engenharia se adaptar a um novo cenário de questões climáticas sem precedentes, visando maior competitividade. 

O painel também discutiu a recomposição da mão de obra e da tecnologia no setor de construção civil após operações como a Lava Jato. Rafael demonstrou preocupação com a preparação da academia para formar engenheiros para o ambicioso canteiro de obras que o Brasil se tornará, com novos projetos de infraestrutura, ferrovias, portos e concessões futuras, reforçando o desafio de retomar a pujança das empresas de engenharia. 

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