Entidades debatem Carta de Compromissos do Agroportos 2026 em Brasília

Carta a ser assinada por FPPA e FPA propõe 10 ações para integrar produção agropecuária e infraestrutura logística, visando reduzir gargalos e elevar competitividade brasileira no comércio global. 

O Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) e o Instituto Pensar Agro (IPA) promoveram dois painéis durante o Agroportos, iniciativa da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). O evento ocorreu em 8 de abril de 2026 e reuniu parlamentares, empresários e especialistas para discutir a infraestrutura como fator estratégico para a competitividade do agronegócio brasileiro. 

No segundo painel de debates, representantes das entidades debateram a construção da Carta de Compromissos Agroportos 2026. O documento estabelece uma agenda estratégica para alinhar produção, logística e infraestrutura, tratando esses temas como política de Estado. 

A carta destaca o potencial brasileiro na produção global de alimentos, energia e minerais, com safra superior a 330 milhões de toneladas e contribuição decisiva do agronegócio ao PIB. No entanto, alerta para gargalos logísticos que limitam a participação do país no comércio mundial a cerca de 1,5%. A movimentação portuária bate recordes, mas custos elevados de transporte, déficit de armazenagem, concentração modal e entraves regulatórios freiam a eficiência. 

O documento será consolidado com as contribuições feitas neste painel e enviado para assinatura conjunta entre a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Os 10 compromissos da carta estão detalhados abaixo. 

O Agroportos 2026 marca o início de ações concretas. “Transformar capacidade produtiva em liderança global sustentável, reduzindo o Custo Brasil”, conclui a carta. 

Urgência por soluções 

O Painel 2 foi mediado por Mauro Sammarco, presidente do Conselho do IBI, e contou com Mário Povia, diretor-presidente do IBI, como debatedor central. Os participantes reforçaram a urgência por soluções para a logística nacional. 

Mário Povia sintetizou o alerta: “É uma bomba-relógio. Se o gap entre produção agro e infraestrutura não for corrigido, colapsamos. O agronegócio estagna sem escoamento, armazenagem e acessos”. Ele citou ciclos de silos na Conab (pico em 2016, depois queda por falta de continuidade), terceira descida do Porto de Santos (quarta já necessária) e necessidade de observatório de dados contra o “eu acho”. “Payback em 2 a 3 anos só com custo da ineficiência”, enfatizou, propondo a carta como compilação para o “dayafter”. 

Povia reforçou: questões de Estado viram de governo, com burocracia alheia à urgência privada. Licenciamentos ambientais demoram anos; crime organizado infiltra licitações via fundos. A carta inicia movimento para diálogo lateral entre ministérios e autoridades, via PNL 2050 e corredores logísticos. 

Destaques no Debate 

Marcelo Schmitt, gerente-geral da Stoulthaven Santos, destacou o potencial em biocombustíveis e amônia verde, criticando a falta de ferrovias para cargas perigosas e propondo soluções de baixo custo, como berços públicos em troca de descontos contratuais (R$ 380-400 milhões, com payback em um ano via economia de demurrage). Ele citou projeto de R$ 90 mil para engenharia de tráfego em Santos, executado por R$ 13 milhões após greve de caminhoneiros, eliminando engarrafamentos na Alemoa. 

Sérgio Lima, CEO da CMA Terminals Fortaleza, apontou descompasso: armadores ajustam frota em semanas, agro cresce um terminal por ano, mas obras civis levam 2 a 4 anos (até 10 em greenfield). “Projetos de 2021 já defasam 35% com crescimento de 5% na fruta nordestina”, disse. 

Eduardo Heron, diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CECAFÉ), defendeu urgência em capacidade de berços no Porto de Santos (filas de 50 horas), com apoio do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e criticou narrativas contraditórias. 

Amanda Seabra, gerente de Relações Institucionais da BTP, elogiou convergências entre agro e portos, propondo pacto pela infraestrutura e interlocução com CNA para dados de gargalos (pastos, berços). Sugeriu união de frentes para pautar presidenciáveis. 

Os 10 compromissos da Carta 

  1. Priorizar projetos estruturantes de Estado, com planejamento plurianual e estabilidade institucional, evitando descontinuidades que elevam custos. 
  1. Fortalecer acessos terrestres aos portos, com foco em rodovias e ferrovias urbanas, onde apenas 37,9% da malha rodoviária é ótima ou boa, segundo pesquisa CNT. 
  1. Ampliar capacidade de armazenagem, superando déficit de 100 milhões de toneladas para reduzir pressão sazonal sobre rodovias e portos. 
  1. Consolidar o Arco Norte, com investimentos em dragagem, derrocagem e ferrovias alimentadoras para interiorizar a logística. 
  1. Promover integração multimodal, reduzindo dependência rodoviária (dois terços das cargas) e conectando modais regionais. 
  1. Garantir segurança jurídica e previsibilidade regulatória, protegendo decisões de agências como ANTAQ e ANTT de oscilações conjunturais. 
  1. Modernizar licenciamento ambiental, com prazos objetivos e menor litigiosidade, equilibrando proteção e desenvolvimento. 
  1. Valorizar capacidade instalada de terminais, via digitalização, dragagem e automação, após recorde de 1,4 bilhão de toneladas em 2025. 
  1. Expandir áreas de contêineres, com crescimento de 7,2% na movimentação (164 milhões de toneladas), evitando saturação em Santos e outros portos. 

Instituir diálogo técnico permanente entre Parlamento, setor produtivo e operadores. 

Localização:

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