Durante evento desta terça (25), ministro dos Transportes anunciou 21 leilões ferroviários e rodoviários para 2026, com R$ 288 bilhões em investimentos
O Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) participou nesta terça-feira (25) da cerimônia de lançamento da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias do Ministério dos Transportes, que marca um novo capítulo para a infraestrutura de transportes no Brasil e recoloca a ferrovia no centro da agenda de investimentos.
Durante o evento, o ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou o caráter inédito e estruturante da iniciativa. “É uma política nacional inédita, com alinhamento dos projetos a práticas de estruturação mais modernas, à modelagem econômica e financeira também, uma política alinhada à definição de regras contratuais que nós trouxemos do ambiente rodoviário para ferrovias. Isso foi uma decisão de país e isso vai ser transformador”, afirmou.
A nova política estabelece diretrizes claras de planejamento, governança, sustentabilidade e, principalmente, um modelo de financiamento (funding) que combina recursos públicos e privados. A carteira do Ministério dos Transportes prevê 8 leilões de ferrovias, abrangendo mais de 9 mil quilômetros de trilhos. A expectativa é atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos, com projeção de até R$ 600 bilhões injetados no sistema ferroviário ao longo dos próximos anos.
Em apoio à iniciativa, o diretor-presidente do IBI, Mário Povia, parabenizou O Ministério dos Transportes pela condução da proposta. “Quero parabenizar o governo pela iniciativa de propor a Política Nacional de Outorgas Ferroviárias. O plano é ousado, mas investir em ferrovia trará ganhos expressivos de eficiência e competitividade para toda a logística de transportes brasileira. O IBI vê essa agenda como essencial para integrar modais, reduzir custos e fomentar desenvolvimento regional”, afirmou Povia.
O secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, reforçou o impacto econômico do modal: “Ferrovia é um fenômeno econômico, ela reduz custo marginal, barateia o frete, integra cadeias de produção. E a gente avançou muito nesses três anos, com uma estratégia sofisticada e sólida, atentos à complexidade do setor.”
Entre os projetos prioritários da carteira, destacam-se:
- Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118)
- Ferrogrão
- Corredor Leste-Oeste
- Malha Oeste
- Corredores da Malha Sul
Para o setor privado, a sinalização é de continuidade e escala. “Esse é um passo importante, de concretizar uma visão, porque fazer ferrovia realmente demanda uma visão e uma política de Estado. E o setor está muito animado com esses projetos, com essa visão de investimento no setor”, disse Davi Barreto, diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).
Os impactos também são relevantes sobre emprego e renda. Apenas a Ferrogrão, que conectará Sinop (MT) a Itaituba (PA), tem potencial de gerar mais de 100 mil postos de trabalho durante a implantação. “Os projetos feitos pelo modelo de concessão, como os do Ministério dos Transportes, mostram que a colaboração do governo com o setor privado alavanca e soma recursos. Quero parabenizar toda a equipe do ministério por esse trabalho. A agenda de concessões não só foi retomada, como consolidada”, afirmou Nelson Barbosa, diretor de Planejamento do BNDES, um dos principais financiadores da carteira.
Rodovias: histórico de leilões e novo pipeline
Em menos de três anos, o Ministério dos Transportes realizou 21 leilões rodoviários, somando 10.009 quilômetros concedidos e R$ 232 bilhões em investimentos contratados. Em 2025, os números devem crescer com o leilão da Fernão Dias, marcado para o dia 11. Para 2026, a previsão é de 13 novos leilões rodoviários, com potencial de mobilizar R$ 148 bilhões.
“Hoje foi um dia muito relevante para o setor de transportes como um todo, com o lançamento da carteira de ferrovias e de rodovias. De rodovias são 13 novos leilões e a gente espera a mesma participação dos investidores que tivemos ultimamente também na carteira de 2026”, destacou a secretária Nacional de Transporte Rodoviário, Viviane Esse.
No pipeline, a Rota dos Sertões aparece como um dos destaques. Conectando o anel rodoviário de Feira de Santana (BA) a Salgueiro (PE), o projeto terá 502 quilômetros de extensão e será o primeiro leilão de concessão rodoviária do Nordeste. O certame está previsto para março de 2026, com expectativa de investimentos de R$ 6 bilhões em duplicações, passarelas e um ponto de parada e descanso. A estimativa é de geração de cerca de 60 mil empregos.
A confiança do investidor privado também foi ressaltada por Marco Aurélio Barcelos, diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR): “Nós estamos abertos de forma definitiva para o investimento privado de longo prazo. As pessoas estão animadas, porque existe um ingrediente fundamental que é a credibilidade. E em 2026 nós vamos fazer 13 leilões.”
Além dos novos ativos, o Ministério dos Transportes vem conduzindo seis otimizações contratuais — mecanismo desenvolvido em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU) para modernizar e reequilibrar concessões que já não atendiam como previsto. Com a agenda em curso, o Governo do Brasil deve alcançar, no próximo ano, a marca de 35 concessões rodoviárias, um recorde de projetos estruturados em uma única gestão.
Em síntese, a Política Nacional de Outorgas Ferroviárias inaugura um ciclo com diretrizes claras, carteira robusta e instrumentos de financiamento híbridos, enquanto a frente rodoviária mantém tração e escala. A combinação de projetos maduros, segurança jurídica e previsibilidade regulatória tem sustentado a participação privada e indica um horizonte de investimentos contínuos na infraestrutura de transportes do país.
Com informações da ASCOM do Ministério dos Transportes