FPPA e IBI debatem legado do Túnel Santos-Guarujá

Encontro, realizado pela primeira vez na sede da FPPA-IBI em São Paulo, marca a primeira reunião da Comissão Externa para acompanhar as obras do Túnel Santos-Guarujá da CVT

A Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e o Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) promoveram, nesta segunda-feira (30), o evento “Legado do Túnel Santos-Guarujá”, que marcou a estreia da nova sede da FPPA-IBI em São Paulo. 

O encontro — que também foi a primeira reunião da Comissão Externa criada para acompanhar as obras do Túnel Santos-Guarujá, vinculada à Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados — reuniu especialistas para discutir as possibilidades de reaproveitamento das áreas utilizadas nas obras do túnel submerso e os desafios que ainda cercam a implantação do projeto. 

Durante o evento, a diretora executiva da Flow Assessoria e Gestão Empresarial, Jennyfer Tsai, apresentou uma análise detalhada sobre o potencial legado do empreendimento, destacando a importância de um planejamento que vá além da engenharia da obra e considere os usos futuros das estruturas e áreas associadas. 

“Não se trata apenas de escavar e construir. É necessário pensar desde já o que será feito com a doca seca ao fim das obras. Essa é uma oportunidade de transformar um espaço técnico em um ativo estratégico para a região”, afirmou Jennyfer. 

A apresentação destacou experiências internacionais em reaproveitamento de áreas similares, como as obras de Basrah, no Iraque; Jinhae Bay, na Coreia do Sul; Fehmarnbelt, na Dinamarca; e Zeebrugge, na Bélgica. Em cada um desses casos, os espaços originalmente destinados à construção de túneis submersos foram posteriormente utilizados para fins diversos — como lazer, infraestrutura portuária e estaleiros —, transformando-se em elementos integrados ao desenvolvimento urbano e econômico local. 

Segundo Jennyfer, a Baixada Santista pode seguir caminho semelhante. “A área da Prainha, por exemplo, tem um enorme potencial de uso futuro. Pode servir à expansão portuária, à criação de equipamentos públicos ou mesmo à valorização do entorno com áreas de lazer. O fundamental é integrar essa discussão ao planejamento desde já”, sugeriu. 

Entre os desafios identificados pela consultora estão a escassez de áreas brownfield (já ocupadas) disponíveis para expansão, a sensibilidade ambiental das áreas greenfield (não urbanizadas) e a complexidade dos acessos. Ela também apontou como alternativa a recuperação de terras (land reclamation) por meio do reaproveitamento de materiais dragados do canal, o que pode minimizar impactos ambientais e ampliar a disponibilidade de espaço. 

A possibilidade de uso da área do Valongo, em Santos, foi apontada como promissora, desde que bem articulada com o atual projeto do terminal de cruzeiros (T-Cruz). Um cenário possível seria a ocupação mista: portuária — com terminais de veículos, cargas especiais e celulose — e urbana — com a expansão do Parque Valongo e a instalação de uma marina. 

Jennyfer ressaltou, porém, a necessidade de articulação entre os entes envolvidos, como a Autoridade Portuária de Santos (APS), o município e os operadores locais. 

“O túnel não é um fim em si mesmo, mas uma engrenagem de transformação territorial. O legado que ele pode deixar depende de decisões estratégicas tomadas agora”, declarou a consultora, que também levantou a necessidade de novos estudos, entre eles os de viabilidade técnica e financeira, planejamento portuário e identificação de fontes de recursos. 

Solução 

O painel contou com a mediação do diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura, Mário Povia, que reforçou o papel da FPPA-IBI como espaço de articulação e debate para soluções de infraestrutura com impacto sustentável e integrado ao desenvolvimento regional. 

“Iniciamos os trabalhos da nova sede da FPPA e do IBI em São Paulo com o pé direito. Tratamos aqui de um assunto oportuno e importante para a Baixada Santista. Acredito que os pontos levantados trazem novas percepções sobre o empreendimento. Agora, o que já podemos levar daqui é que há a necessidade de endereçarmos uma solução estratégica para a ocupação e o uso desse canteiro de obras”, afirmou.s. 

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