Gargalos da aviação e do setor aquaviário são debatidos no Ceará Day

Manhã de discussões do evento demonstrou protagonismo crescente da infraestrutura portuária cearense e trouxe apelo para tratamento diferenciado no setor de aviação   

Ao longo da manhã desta terça-feira (03), representantes do estado do Ceará e da sociedade civil realizaram uma série de debates sobre os gargalos e perspectivas do setor portuário e aeroportuário brasileiro.  

As discussões aconteceram ao longo de todo o dia de trabalhos do Ceará Day, evento promovido pela Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e pelo Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI). Ao todo foram dois painéis realizados no período da manhã. 

O primeiro painel – intitulado “Planejamento estratégico do Porto de Fortaleza – foi ministrado pelo diretor-Presidente da Companhia Docas do Ceará (CDC), Lucio Gomes. Em sua apresentação, ele sinalizou o protagonismo crescente da infraestrutura portuária cearense no cenário nacional — especialmente diante de novos investimentos e da integração com outras cadeias logísticas. 

  

“Quero destacar que o Porto de Fortaleza, em questão de volume, se situa em um patamar médio nacional. Praticamente a metade da nossa movimentação é voltada A granéis líquidos e gasosos. Em segundo, o granel sólido, como trigo chegando a rivalizar com o Porto de Santos. Desde 2022 estamos em crescimento e, este ano, pretendemos ultrapassar os cinco milhões de toneladas movimentadas para grãos”, disse.   

  

Ainda de acordo com o diretor-presidente da CDC, a movimentação de cargas do Porto de Fortaleza, ou do Porto do Mucuripe, cresceu 55,8% em fevereiro de 2025, período em que registrou 400 mil toneladas. Levando em consideração os portos brasileiros, o fluxo foi de 12,4 milhões de toneladas de contêineres, o melhor já registrado no mês. O valor representa crescimento de 9,26% em relação ao igual período de 2024. 

Lucio Gomes fez ainda um paralelo com o porto de Pecém, considerado um dos principais portos do país e um dos que mais cresce no Brasil. O Porto do Pecém movimenta diversos tipos de carga, como granéis sólidos, granéis líquidos, contêineres e cargas em geral.  

Em suas considerações finais, o diretor-presidente da CDC comentou que a contribuição de Pecém é muito importante, mas que é preciso que haja uma compreensão de que ambos os portos possuem sua importância para o Brasil. “Nosso entendimento é de que os dois portos são complementares e ajudam diretamente no crescimento do país”, argumentou. 

  

Aviação 

  

O segundo painel – batizado de “Perspectivas do setor Aeroportuário do Estado” – contou com dois painelistas: o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas e associado do IBI, Juliano Noman, e do presidente da Aeroportos do Brasil, Fábio Rogério.  

  

Em sua fala inicial, Juliano Noman explicou as particularidades do setor aeroportuário, ressaltando que a quantidade de voos no Brasil vem crescendo após a pandemia, considerada a maior crise do setor aéreo mundial.  

   

“Todos nós queremos mais voos, mais destinos e flexibilidade de horários. No final das contas, tudo faz parte de uma mesma engrenagem geradora de desenvolvimento, seja em ritmo mais acelerado ou mais tímido. Contudo, tudo depende das decisões que são tomadas em Brasília. Em termos da relação quantidade e destino, não batemos ainda os números pré-pandemia”, explicou. 

  

O presidente da Abear trouxe ainda números da aviação do estado cearense, explicando que a região é a maior concentradora de viagens internacionais. Ressaltou também que as viagens domésticas para o estado vêm mostrando evolução.  

  

“No mercado internacional, o estado do Ceará representa mais de um terço dos voos de passageiros para a região nordeste. A despeito da relação quantidade e destino, é um dado importante. No mercado nacional ainda não batemos o volume pré-pandemia”, disse. 

  

Contudo, Noman explicou que a aviação civil possui particularidades e que, portanto, é preciso que o governo olhe para o setor de forma individualizada. Sempre entendendo que as empresas, a despeito dos seus processos de recuperação judicial, vivem em constante crescimento.  

  

“O setor aéreo brasileiro tem uma coisa certa: todas as empresas passam por um estado de falência. Aí vem aquela história de que quando somente um está doente é ok. Contudo, quando todo mundo fica doente é um problema de saúde pública. É preciso entender que as decisões estabelecidas pelo governo brasileiro, como a dolarização dos custos das empresas e falta de flexibilidade na busca de novos financiamentos para as empresas aéreas, afetam diretamente a quantidade de voos no país”, argumentou.   

 

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