IBI debate selo verde nas obras de infraestrutura de transportes

Encontro em Brasília com representantes da GIB, da Pezco, da RGCS e da PSP Hub teve como objetivo debater certificação global e perspectivas para obras na Baixada Santista. 

Membros do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) realizaram, nesta segunda-feira (3), uma reunião com representantes da Global Infrastructure Basel (GIB), da Rede de Governança Climática de Sustentabilidade (RGCS) e da PSP Hub para discutir as melhores práticas de sustentabilidade e os benefícios do selo verde nas obras de infraestrutura. 

O encontro serviu para apresentar a proposta do Selo FAST-Infra na política de investimento em infraestrutura de transportes. O selo objetiva incentivar e facilitar o acesso a financiamentos e investimentos focados em práticas ambientais e sociais responsáveis. A apresentação do projeto foi feita pelo codiretor de Qualidade de Infraestrutura da Global Infrastructure Basel (GIB), Roger Cruz. 

Além de ser um facilitador de negócios, Cruz pontuou que o selo oferece capacitação, assistência técnica e subsídios reembolsáveis para projetos em fase de desenvolvimento. A integração do FAST-Infra Label à arquitetura de dados da Bloomberg, segundo ele, cria as bases para um futuro mercado global de projetos de infraestrutura sustentável, solidificando sua relevância estratégica no cenário internacional. 

“Precisamos urgentemente mobilizar o capital para infraestruturas que sejam não apenas robustas, mas também intrinsecamente sustentáveis”, afirmou Roger Cruz. “O mundo enfrenta atualmente um subinvestimento de US$ 64 trilhões em infraestrutura sustentável, o que significa que será necessário dobrar o investimento em infraestrutura entre 2030 e 2050 para atender às metas de emissões líquidas zero. O Selo FAST-Infra surge como a resposta prática para preencher essa lacuna, orientando investimentos eficazes e assegurando que cada projeto atenda aos mais elevados padrões de sustentabilidade e resiliência.” 

A discussão abordou os benefícios de adotar o Selo FAST-Infra, que vão desde o acesso facilitado a mercados de capitais e fundos de investimento até a visibilidade global e a garantia de uma infraestrutura de qualidade superior.  

Exemplos de sucesso no Brasil foram destacados, como a Linha 6-Laranja do metrô de São Paulo, que se tornou o primeiro projeto de metrô no mundo a receber a certificação, e o projeto de concessão rodoviária Via Liberdade, em Minas Gerais, reconhecido por sua contribuição para a prevenção de acidentes e a segurança viária. Globalmente, o selo já impacta 258 projetos criados, com 58 já certificados, totalizando mais de US$ 27,1 bilhões em CAPEX, em 26 países. 

Desafios práticos 

Mário Povia, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), trouxe à tona os desafios práticos da implementação de grandes projetos de infraestrutura no Brasil, especialmente diante da iminência de um alto volume de obras na Baixada Santista. Povia expressou particular preocupação com o iminente volume de obras na região, afirmando: 

“A cidade vai virar um canteiro de obras; isso não tem jeito. Até o próprio canteiro de obras do túnel é uma discussão — para um canal, então, há os blocos. De qualquer forma, há as obras do dia a dia do Porto, licitação de terminais, ampliação de terminais, que também vão ocorrer.” 

Ele ressaltou a importância de um acompanhamento rigoroso para que essas obras sejam bem geridas, evitando problemas de calendário e minimizando impactos negativos na população local. Povia também destacou a discussão sobre como o selo poderia facilitar processos de licenciamento ambiental ao mitigar riscos e assegurar melhores práticas de governança e resiliência desde as fases iniciais dos projetos. 

A presidente do IBI Social, Eliane Sammarco, reforçou a importância de integrar práticas sustentáveis nos projetos de infraestrutura para promover o desenvolvimento econômico e social do país. Com um propósito claro, Sammarco declarou: 

“Queremos ser uma plataforma de transformação. O IBI Social nasce com o propósito de conectar projetos e pessoas, mobilizar o setor para causas humanas e ampliar o olhar sobre o papel da infraestrutura na construção de um país mais justo.” Ela enfatizou que a busca por certificações como o Selo FAST-Infra é essencial para impulsionar o desenvolvimento econômico e social, pois alinha os projetos de infraestrutura com os mais altos padrões de sustentabilidade, garantindo benefícios duradouros para a população e o planeta. 

De acordo com Sammarco, o evento no IBI, em Brasília, consolidou o entendimento de que a busca por certificações como o Selo FAST-Infra é um passo crucial para o futuro da infraestrutura brasileira. “Ao adotar esses padrões, o país não só atrai financiamentos e tecnologias alinhadas às melhores práticas globais, mas também garante que as obras sejam realizadas com responsabilidade ambiental e social, gerando benefícios duradouros para a população e o planeta”, argumentou. 

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