IBI e CNT discutem parceria para Observatório de Dados na infraestrutura

Em encontro realizado na sede da CNT, representantes das duas entidades discutiram aproximação estratégica para o Observatório de Dados do IBI, visando transformar informações públicas e privadas em inteligência para políticas de transportes. 

Representantes do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) reuniram-se na última terça-feira (24) com Valter Luís de Souza, diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional do Transporte (CNT), para discutir uma parceria estratégica centrada no Observatório de Dados do IBI. 

O encontro – que contou com a presença do diretor-presidente do IBI, Mário Povia, do gerente do Observatório de Dados do IBI, Bruno Pinheiro, e da gerente de Projetos, Mariana Lamoso – focou na plataforma inovadora do instituto, capaz de coletar, sistematizar e analisar dados para subsidiar decisões governamentais, investimentos e políticas públicas no setor de infraestrutura de transportes. 

Bruno Pinheiro liderou a apresentação, enfatizando a necessidade de uma abordagem data-driven. Ele explicou que o Observatório visa agregar dados públicos e privados, utilizando Inteligência Artificial (IA) para processar informações e gerar relatórios automatizados em linguagem natural. 

Pinheiro detalhou casos práticos já em desenvolvimento. Um deles é a análise do impacto de aumentos no preço do diesel sobre os custos de frete, ilustrando como variáveis como top-off em usinas afetam a logística. “Você era obrigado a aumentar o frete, mas eu falo que a gente tem mais uma variável aí que é o top-off da usina ainda”, observou ele, respondendo a uma experiência compartilhada por Souza sobre o transporte de açúcar. 

Outro exemplo é o estudo sobre o acesso ferroviário ao Porto de Santos (STS-10), além de análises de Terminal Handling Charges (THC) e demurrage em portos, identificando gargalos como filas e demanda excessiva. 

Um dos destaques da proposta é o “Índice de Sobretaxa Sistêmica”, um novo indicador proposto pelo IBI para quantificar os custos extras decorrentes de ineficiências modais e atrasos em infraestrutura. O índice considera o “Fator de Deficiência Modal” – custo adicional de usar rodovias em vez de modais mais eficientes – e o “Custo de Atraso de Infraestrutura”, medindo perdas por projetos paralisados. 

Valter Luís de Souza contribuiu com os desafios operacionais que o Observatório poderia mitigar com dados precisos. Souza enfatizou a importância de sincronizar fazendas e portos, citando ferramentas como o app 5Port e sistemas free flow. 

O Observatório já vem demonstrando resultados promissores. Lançado com o propósito de “transformar dados em inteligência estratégica para revolucionar a infraestrutura de transportes no Brasil”, o projeto explora simulações avançadas, análise de sensibilidade e conceitos para prever impactos de obras em operações portuárias. 

Recentemente, o Observatório de Dados do IBI apresentou, em uma mesa-redonda realizada na sede do IBI em São Paulo, projetos inovadores orientados por inteligência de dados para impulsionar a eficiência operacional no setor portuário e logístico. Esses projetos incluem propostas como plataformas de “gêmeos digitais” para simular impactos de obras em operações portuárias, agregando dados públicos e privados para gerar inteligência acionável e antecipar conflitos, promovendo assim uma gestão mais ágil e sustentável. 

Além disso, o Observatório vem desenvolvendo uma pesquisa exclusiva do IBI sobre o trabalhador marítimo e portuário, com foco em definir perfis profissionais e orientar políticas públicas e estratégias de capacitação. A iniciativa envolve a apresentação detalhada de sua metodologia e um diálogo aberto com atores-chave do ecossistema, como entidades representativas e especialistas, visando construir soluções colaborativas para os desafios do setor. 

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