Diretores e associados do Instituto participaram de painéis, cerimônia de abertura e apresentaram iniciativa inovadora do IBI Social voltada a hortas urbanas sustentáveis
Associados e diretores do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) participaram do XXV Seminário Internacional do Café, realizado em Santos entre os dias 19 e 21 de maio, no Santos Convention Center.
Organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS) com apoio da Prefeitura, o evento bienal reuniu lideranças empresariais, autoridades e representantes de 24 países para debater infraestrutura, inovação, tecnologia e sustentabilidade no setor cafeeiro.
Cerimônia de abertura reúne autoridades.
A solenidade de abertura contou com discursos de lideranças do setor portuário, empresarial e do agronegócio. O presidente da Associação Comercial de Santos e presidente do Conselho de Administração do IBI, Mauro Sammarco, destacou a relevância histórica do encontro para o fortalecimento da cadeia produtiva do café e para a economia nacional.
“O seminário consolidou-se como um dos mais importantes encontros do setor cafeeiro mundial, promovendo debates fundamentais sobre infraestrutura, inovação e competitividade para o Brasil”, afirmou.
Sammarco também defendeu a necessidade de o Brasil avançar em infraestrutura, inovação tecnológica e segurança regulatória como pilares para o crescimento sustentável do setor.
A prefeita em exercício de Santos, Audrey Kleys, ressaltou a conexão histórica da cidade com a cafeicultura. “Santos tem uma ligação histórica com o café e sediar um evento dessa dimensão reforça o protagonismo do município no desenvolvimento econômico, na inovação e nas conexões internacionais ligadas ao setor”, declarou.
O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, destacou que o Porto de Santos responde por cerca de 30% da corrente comercial brasileira e conecta o Brasil a mais de 200 países e 600 destinos internacionais. Segundo ele, a expansão da infraestrutura portuária foi impulsionada pela força do agronegócio, com destaque para a cafeicultura.
O vice-presidente da ACS e diretor-presidente da MSC do Brasil — associado do IBI —, Elber Justo, reforçou a necessidade de cooperação entre os setores público e privado para ampliar a presença do café brasileiro no mercado internacional.
Já o diretor-comercial da EISA e vice-presidente da ACS, Carlos Santana, apontou os avanços tecnológicos do setor cafeeiro nacional, ressaltando que o Brasil se aproxima de uma das maiores safras da história com área de cultivo inferior à da década de 1970, aliando produtividade a preservação ambiental.
A diretora da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Cristina Castro, elogiou o alinhamento da cafeicultura brasileira aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, mencionando contribuições nas áreas de educação, inclusão feminina e combate às mudanças climáticas.
O gerente de agronegócio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Pedro Henrique de Souza Neto, destacou a diversidade da produção nacional e a representatividade do setor cafeeiro para a identidade brasileira.
Gargalos e entraves
O evento contou com uma série de diálogos e palestras, entre eles o painel “Infraestrutura e Logística”. Realizado no segundo dia do evento, o painel foi mediado pelo diretor-presidente do IBI, Mário Povia, e reuniu representantes do setor portuário, operadores e armadores.
O debate concentrou-se nos gargalos históricos, no atraso de investimentos e nos congestionamentos crescentes no Porto de Santos, apontados como entraves ao escoamento da produção brasileira.
O presidente da APS, Anderson Pomini, cobrou celeridade na execução de projetos estruturantes. “Estamos há 100 anos estudando uma ligação seca entre as margens do porto. Além disso, há 13 anos discutimos a modelagem do Tecon Santos 10, que, em pleno funcionamento, aumentaria nossa capacidade. Por que somos tão lentos para implementar o que é óbvio? Quando o Tecon sair, nosso porto vai se tornar o 20º do mundo”, afirmou.
O sócio-diretor da Agência Porto Consultoria Portuária e Empresarial, Fabrizio Pierdomenico, alertou que o complexo santista voltou a operar em níveis críticos de ocupação. “Os últimos grandes aportes financeiros do poder público em infraestrutura foram a perimetral da margem direita e a dragagem de aprofundamento de 2010 para 2011. Precisamos de modelos de gestão que permitam ao setor público e ao privado terem a mesma velocidade de investimento”, declarou.
O managing director da Solve Shipping, Leandro Barreto, informou que a demanda por infraestrutura portuária no Brasil cresceu 20% entre 2024 e 2025, superando a média global. Segundo ele, os armadores ampliaram em 40% a oferta de navios porta-contêineres, com acréscimo de 800 mil TEU. No entanto, os terminais não acompanharam o mesmo ritmo e operam hoje perto de 90% de ocupação dos berços. “Quando um terminal opera acima de 65% de utilização, não há margem para receber navio atrasado, amortecer greves ou mau tempo. Em 2025, cerca de 50% das escalas de navios registraram atrasos”, explicou.
O sócio da Neowise Consultoria, Luis Montenegro, apresentou estudo sobre os custos dos congestionamentos no Porto de Santos. Segundo o levantamento, apenas em 2024 as despesas com demurrage — multa pela sobreestadia de embarcações — alcançaram R$ 775,3 milhões. Desde 2019, o custo acumulado chegou a R$ 3,8 bilhões. “Este valor não se recupera mais e poderia ter sido reinvestido em infraestrutura, mas foi gasto por ineficiência. É o custo do tempo. Um porto congestionado só resolve seu problema aumentando a capacidade”, afirmou.
Hortas verticais
Durante o seminário, o IBI Social lançou um novo projeto voltado à sustentabilidade e ao impacto social. A iniciativa, realizada em parceria com a Associação Comercial de Santos, a Prefeitura de Santos e a Zaya Farms, propõe a instalação de hortas verticais em cortiços e contêineres, unindo inovação, inclusão social e desenvolvimento sustentável.
O projeto também reforça o compromisso com a geração de oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade e com soluções mais sustentáveis para as cidades.
A presidente do IBI Social, Eliane Sammarco, que esteve presente no evento, destacou o caráter pioneiro da iniciativa para Santos. “Atualmente, 100% do que consumimos de verduras e hortaliças na cidade chega por transporte, o que eleva os custos e gera impacto ambiental. Com este projeto, em parceria com a Prefeitura, estamos trazendo uma solução inovadora que alia produção local à inclusão social, com a mão de obra sendo direcionada preferencialmente a pessoas em situação de vulnerabilidade, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social”, afirmou.
O projeto representa mais um avanço no compromisso do IBI Social com ações que integram desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e transformação social nas comunidades onde atua.