Parceria estratégica visa impulsionar a Economia Azul, a cultura oceânica e a inclusão social, preparando o Brasil para a COP dos Oceanos 2027.
O Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) Social promoveu, nesta segunda-feira (25), uma reunião com representantes do Ministério de Ciência e Tecnologia. O objetivo foi estreitar laços entre as entidades na busca de promover discussões sobre economia azul, proteção dos mares e inclusão das comunidades pesqueiras na gestão sustentável do ambiente marítimo.
A reunião teve a participação da presidente do IBI Social, Eliane Sammarco, que ressaltou a importância de aproximar o IBI Social do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) na discussão de pautas essenciais para o setor. “Eu acho que o principal que eu até falei para eles era a gente aproximar, nos aproximar do ministério da discussão. É uma pauta que tem total ligação com o nosso setor, com o setor de votos. Até porque acho que a gente pode ter essas discussões, até aproximar os nossos mantenedores das discussões.”
Sammarco destacou a relevância do momento, mencionando a “Década dos Oceanos” e a forte ligação com a Marinha, que pode se beneficiar dessas discussões. Mariana Lamonso, também presente na reunião, sugeriu a realização de uma mesa redonda no IBI no próximo ano, focada na cultura oceânica, convidando a Marinha, o Professor Ronaldo e o Ministério.
Mário Povia levantou a questão do gerenciamento costeiro, citando a PIANC (um organismo internacional com atuação no Brasil) e a necessidade de abordar a academia, que muitas vezes se encontra “divorciada do setor produtivo”. Um representante do MCTI concordou, apontando que a Secretaria tem uma função institucional de educação e pode fazer a ponte para “aproximar, atender o interesse do setor, e a gente tiver esse link que a academia pode trazer.”
A temática da Economia Azul, um dos pilares da discussão, refere-se ao uso sustentável dos recursos oceânicos para o crescimento econômico, melhoria dos meios de subsistência e geração de empregos, sempre preservando a saúde dos ecossistemas marinhos. Este conceito abrange diversos setores, como pesca, aquicultura, turismo costeiro, transporte marítimo, energia renovável marinha e biotecnologia.
A União Europeia a define como “todas as atividades econômicas relacionadas com os oceanos, mares e costas”, focando no desenvolvimento econômico sustentável e rentável. No Brasil, essa perspectiva tem um potencial significativo devido à extensa costa e à riqueza de recursos marinhos, exigindo a integração de políticas públicas e iniciativas privadas para garantir benefícios econômicos e ambientais a longo prazo.
Os preparativos para a COP dos Oceanos de 2027 também foram pauta. Este evento global reunirá líderes mundiais, cientistas e representantes da sociedade civil para discutir e implementar ações voltadas à conservação e uso sustentável dos oceanos. A presidente do IBI Social enfatizou a relevância do evento e a necessidade de o Brasil se preparar para contribuir de forma significativa. “A gente está em um momento muito importante. É um monte de entrega. De correr, de mostrar o que está sendo feito, de ver o que a gente consegue.” A Mulher Morena do MCTI complementou, afirmando que o Brasil elaborou o primeiro comitê nacional da década da Ciência Social, e que agora é o momento de “mostrar esses resultados que você comentou, para mostrar o que a gente fez. Porque tem muita coisa sendo feita, mas priorizada.”
Um dos pontos mais sensíveis da reunião foi o combate ao escalpelamento, um problema grave que afeta principalmente mulheres e crianças em regiões ribeirinhas.
Eliane Sammarco descreveu a situação com profundidade: “O escalpelamento acontece quando o cabelo se enrola no motor do barco. Mesmo no barco, precisava ir pra escola, buscar água, atravessar comunidades e arranca o couro cabeludo.” Ela destacou que o IBI Social agiu de forma proativa, acionando a Marinha, o Ministério de Portos, a ANTAQ, o Ministério das Cidades, a Caixa Civil e o CEDAR e o CIMATEC, que já criou um pré-projeto para um novo motor com um desenho seguro. Além disso, o IBI Social busca não só soluções tecnológicas, mas também “cargos de renda e qualificação para as famílias, porque a vulnerabilidade extrema, falta de alternativa, informalidade, também alimentam o risco.”
A discussão também abordou a necessidade de desmistificar o setor portuário e náutico, aproximando-o da sociedade. Mário Povia destacou que “o perfil do trabalhador não é também mais só armazenar e movimentar carne. O porto funciona com geração de energia, com eólica offshore, com falta voltaica e com uso de processamento de exploração do ar, com a usou de apoio do lixo.” Eliane Sammarco e Mariana Lamonso reforçaram a importância de levar o porto para as escolas e mapear novas oportunidades, mudando a percepção de que o porto é “fechado” ou apenas fonte de notícias ruins.
A questão da cabotagem, a navegação costeira entre portos, por sua vez, foi apresentada por Mário Povia como uma solução de grande potencial para o Brasil. “Essa caga não deveria estar na rodovia, deveria estar na água”, disse Povia, ressaltando os benefícios ambientais e econômicos de transportar cargas via marítima em vez de rodoviária, reduzindo emissões e investimentos em infraestrutura terrestre.
A participação feminina no setor portuário também foi tema de debate. Eliane Sammarco narrou um caso pessoal, onde uma funcionária nova foi fazer vistoria de navio, e surgiu a questão da necessidade de um macacão, simbolizando a inserção em um ambiente predominantemente masculino. Mário Povia complementou, afirmando que, embora ainda haja resistência cultural, “é todo um trabalho cultural que está mudando, é devagar, mas tem mulher em todas as posições.” Eliane reforçou a importância de mudar essa percepção de “barreira cultural”, mencionando a presença crescente de mulheres em áreas como a ciência da computação e a Marinha.
Mariana Lamonso aproveitou a oportunidade para estender o convite à Ministra para participar de um futuro evento do IBI Social, que incluiria uma parte política e debates técnicos, com a presença de deputados e senadores da frente parlamentar, além de figuras como o vice-presidente Geraldo Alckmin e sua esposa, Lu Alckmin, madrinha do IBI Social. “A gente costuma fazer essa abertura pra gente bater um bumbo. Porque a gente sabe que quando a gente tem o político ali, a gente consegue trazer imprensa e tal, pra gente divulgar um pouco mais”, afirmou.
A reunião consolidou o compromisso de diversas esferas em construir um futuro mais sustentável para os oceanos e suas comunidades, unindo forças entre o IBI Social e o Ministério de Ciência e Tecnologia para enfrentar desafios e potencializar soluções.