Braço social do IBI defenderá ações de enfrentamento ao escalpelamento, um drama das comunidades ribeirinhas amazônicas, em painel sobre responsabilidade social aquaviária no maior evento climático global.
O IBI Social, braço técnico do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) voltado a desenvolver projetos de impacto social, com foco em inclusão e desenvolvimento humano em áreas como saúde, meio ambiente e inclusão produtiva para a Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) estará na COP 30 deste ano.
A representação virá pela presidente do IBI Social, Eliane Sammarco, que, no dia 14 deste mês, participará do painel: “Responsabilidade social no sistema aquaviário: aprendizado e ensinamentos”. O debate será promovido pelo Ministério de Portos e Aeroportos que, ao longo de toda a COP 30, promoverá uma série de espaços temáticos dedicados a portos, hidrovias e aviação, para apresentar cases de sustentabilidade, discutir desafios e levar experiências brasileiras ao debate internacional sobre transição energética.
Eliane Sammarco falará sobre os desafios e as soluções para o enfrentamento ao grave acidente de escalpelamento de mulheres, um drama que afeta profundamente as comunidades ribeirinhas da Amazônia. Em suas palavras, a presidente destaca a relevância do momento:
“Minha participação na COP 30 representa uma oportunidade ímpar para trazer à tona uma questão de saúde pública e direitos humanos muitas vezes negligenciada: o escalpelamento. É fundamental que, ao discutirmos a transição energética e a sustentabilidade no sistema aquaviário, não nos esqueçamos da responsabilidade social que temos com as populações mais vulneráveis, especialmente as mulheres ribeirinhas, cujas vidas são drasticamente alteradas por esses acidentes. Precisamos de políticas públicas eficazes, prevenção e apoio às vítimas, e a COP 30 é o palco ideal para engajar a comunidade internacional e as autoridades brasileiras nesta causa.”
A escolha de Belém, no Pará, como sede da COP 30 em 2025, marca um momento histórico, posicionando a Amazônia brasileira no centro das discussões globais sobre mudança climática. O evento reunirá líderes mundiais, cientistas e a sociedade civil para buscar soluções urgentes para a crise climática, com foco no desmatamento, bioeconomia, direitos dos povos indígenas e desenvolvimento sustentável.
Neste cenário de grande visibilidade, a pauta trazida pelo IBI Social ganha ainda mais força, evidenciando que a sustentabilidade ambiental está intrinsecamente ligada à justiça social e ao bem-estar das populações locais. O sistema aquaviário, crucial para a mobilidade e economia da Amazônia, deve ser avaliado não apenas por sua pegada de carbono, mas também pelo seu impacto direto nas vidas daqueles que dependem dos rios.
Tragédia Silenciosa
O escalpelamento, causado por eixos desprotegidos de motores de barcos, é uma tragédia que atinge principalmente mulheres e crianças nas comunidades ribeirinhas. Pesquisas revelam dados alarmantes: são mais de 3 mil vítimas históricas documentadas pela Defensoria Pública da União, sendo que 98% são mulheres, muitas na faixa etária de 5 a 16 anos. Essas lesões deixam sequelas físicas e psicológicas profundas, com “couro cabeludo arrancado de uma só vez”, dores crônicas, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), depressão e isolamento social, impactando drasticamente a capacidade de realizar atividades diárias.
Entre 2006 e 2022, a Capitania dos Portos registrou 173 casos confirmados, um número que, embora represente apenas os casos reportados, reflete a persistência do problema. A ausência de proteção nos eixos dos motores e a falta de conscientização, aliadas à necessidade de transporte fluvial para 4 milhões de ribeirinhos que dependem dos rios, criam um cenário de risco permanente.