Manoel Ferreira Júnior: Embaixador do Nordeste e Pioneiro da Infraestrutura

Diretor do Grupo Agemar revela desafios na reforma do Aeroporto de Belém para COP 30, trajetória empreendedora e visões para aviação regional e portos como Suape. 

O PodInfra – o podcast da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) – desta semana conta com a participação de Manoel Ferreira Júnior, diretor do Grupo Agemar, um dos principais empreendedores do setor logístico brasileiro. De office boy a concessionário de aeroportos e operador portuário, Ferreira discute superação, investimentos bilionários e críticas ao modelo de infraestrutura nacional. 

O foco inicial recai sobre o Aeroporto de Belém, concessionado pelo Grupo Agemar junto ao de Macapá. Para a COP 30, a empresa antecipou uma reforma com R$ 400 milhões em debêntures incentivadas. 

“Tivemos um desafio enorme ao concluir o aeroporto de Belém em pouco mais de um ano, construindo 7 mil metros quadrados em um equipamento de 33 mil metros quadrados, com 780 trabalhadores atuando 24 horas por dia, 365 dias por ano. Foi uma obra fiscalizada rigorosamente pela Anac, que exigiu cumprimento integral das normas de impessoalidade. Quando assumimos, há dois anos e meio, o aeroporto estava abaixo do padrão mínimo de conforto para passageiros. Hoje, entregamos um terminal moderno, confortável e de nível internacional. Ainda assim, enfrentamos problemas como falhas no ar-condicionado – investimos mais de R$ 20 milhões nisso, mas dois chillers queimaram recentemente. Monitoramos pesquisas de satisfação de passageiros e lojistas, pois os 100 comerciantes dependem do fluxo para prosperar”, relata Ferreira. 

Durante a COP 30, o aeroporto foi elogiado pelo ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho e pelo presidente Lula na inauguração. Localizado a seis quilômetros da região metropolitana de Belém – similar ao Recife –, o terminal atraiu parcerias como o Hotel Transamérica, a 200 metros. 

Novos voos incluem Belém-Miami (Gol, três vezes por semana), Belém-Bogotá (Avianca) e Belém-Macapá. A Margem Equatorial impulsiona o Amapá com potencial explosivo. 

“O aeroporto atendeu maravilhosamente bem durante a COP 30. Não houve reclamações; pelo contrário, recebemos elogios públicos. Trouxemos o Hotel Transamérica a 200 metros do terminal, um equipamento moderno que atenderá à demanda crescente de Belém. A Margem Equatorial, do Suriname ao Oiapoque, é uma vitória para o Brasil inteiro, e já sentimos os impactos positivos no Amapá”, afirma o empresário. 

Embaixador do Nordeste 

Lançada dias antes, a biografia “Manoel Ferreira Júnior, Embaixador do Nordeste”, de Ivani Cardoso, emociona Ferreira. Destaque para o depoimento do cantor Petrúcio Amorim: “Companheiro de todas as horas, amigo que o abraço espera, na chegada, na ida, quem dera reviver momentos que a gente já viveu. Sempre que puder estarei ao lado desse homem fiel”. 

O título “Embaixador” surgiu no Nordeste Exporte em Suape. Filho de engenheiro agrônomo que plantou eucaliptos em Pernambuco e superintendeu a Great Western of Brazil, Ferreira começou como office boy. Formado em Administração (Direito como complemento), herdou um navio, vendeu madeira (Virola e Açacu) e atuou no Grupo São Geraldo, operando rotas como Recife-Manaus. 

Trajetória no setor 

Durante o bate-papo, Manoel Ferreira fala sobre sua trajetória no setor explicando que a Agemar surgiu como agência marítima e estiva em Suape, pioneira em informatização com PC500. Em 2001, evoluiu para contêineres, módulos habitáveis, terminais VIP em Noronha e Angola. Na aviação, administrou Bonito (MS, fracassada), Noronha, Jericoacoara e Búzios via PPPs. Crítico da aviação regional, aponta juros altos (CDI 15-22%) e falta de subsídios. Fundou a ATA com Caravans, mas vendeu após perdas. 

“A aviação regional carece de apoio governamental. Altas taxas de juros tornam inviáveis investimentos, e 65% do transporte brasileiro é rodoviário, com estradas precárias no Nordeste. Precisamos de PPPs para administração de aeródromos e incentivos como compra garantida de assentos, similar ao programa de ônibus gratuitos. O avião é indutor de desenvolvimento, ligando o interior às capitais”, defende Ferreira. 

Em Suape, disputas judiciais marcaram o terminal de granéis Sulog e sonhos como a Transnordestina. Ferreira critica a matriz rodoviária dominante e exalta o agro como “luz do Brasil”, cobrando ferrovias no Nordeste. 

“Suape nasceu promissor, mas sofreu com incompetência passada. Hoje, com gestão atual, avança. Ganhamos licitação para terminal de granéis B3 e contrato com Petrobras, mas trazer grãos exige intervenção: portos rasos e distâncias desafiam. O agro cresce apesar dos entraves, mas precisamos de ferrovias para competitividade.” 

Ferreira atribui sucessos à “mentalidade de ação e fronteira” e amizades, mantendo “pés no chão”. 

Localização:

St. de Habitações Individuais Sul
QL 26 – Lago Sul, Brasília – DF

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