Autoridades e especialistas discutem o papel logístico do Porto do Itaqui, o planejamento “Maranhão 2050” e os desafios ambientais para a atração de novos investimentos.
O painel “Medidas estruturantes para o desenvolvimento econômico do estado do Maranhão”, realizado em 27 de maio de 2026 durante o Maranhão Day, reuniu gestores públicos e representantes do setor de infraestrutura para discutir o futuro logístico e produtivo do estado.
O evento, promovido pela Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e pelo Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), destacou a integração entre modais de transporte e a necessidade de segurança jurídica para a expansão de ativos estratégicos, como o Porto do Itaqui e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE).
A abertura dos debates foi conduzida por Mauro Sammarco, presidente do Conselho de Administração do IBI, que ressaltou a importância da continuidade das políticas públicas para que o Maranhão consolide sua posição como hub logístico nacional. Sammarco enfatizou que o desenvolvimento econômico depende de uma visão de longo prazo que ultrapasse gestões governamentais específicas.
“O Maranhão Day é uma oportunidade para demonstrar que o estado possui um planejamento sólido e ativos de classe mundial. O papel do Instituto Brasileiro de Infraestrutura é justamente fomentar esse diálogo técnico, garantindo que as decisões sobre investimentos e infraestrutura sejam baseadas em dados e na eficiência logística que o mercado global exige atualmente”, afirmou.
A presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), Oquerlina Costa, apresentou dados sobre a operação do Porto do Itaqui, destacando sua posição como o segundo maior exportador de grãos do Brasil e o primeiro em importação de fertilizantes. A executiva detalhou a infraestrutura atual, que conta com nove berços operacionais e um décimo em fase de conclusão, além de uma conexão privilegiada com três ferrovias.
“A eficiência do Porto do Itaqui não se limita ao cais, mas se estende por uma malha ferroviária que conecta o Maranhão ao coração produtivo do país. Nossa meta é manter a liderança na movimentação de granéis sólidos e líquidos, aproveitando a profundidade natural de nossos berços, que nos permite receber os maiores navios do mundo, garantindo competitividade ao produtor brasileiro”, explicou.
Um dos pontos de maior atenção durante o painel foi o alerta sobre a possível criação da Reserva Extrativista (RESEX) Tauá-Mirim. O Deputado Federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil/MA) manifestou preocupação com o impacto que um decreto federal de criação da reserva, previsto para o início de junho, poderia ter sobre a expansão do complexo portuário e da ZPE.
“A criação de uma reserva de 16 mil hectares em uma área adjacente ao distrito industrial e ao porto pode inviabilizar projetos estruturantes que são fundamentais para a economia do Maranhão. Não somos contra a preservação, mas defendemos que o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental devem caminhar juntos, sem que decisões unilaterais comprometam décadas de planejamento logístico e industrial”, declarou.
O parlamentar reforçou que a área em questão é vital para o crescimento da infraestrutura estadual. Ele defendeu a necessidade de um esforço suprapartidário para que o governo federal reavalie os limites da reserva, preservando as áreas destinadas à expansão portuária e industrial.
O Secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão (SEMA), Pedro Chagas, abordou a modernização do licenciamento ambiental no estado por meio do programa “Simplifica Maranhão”. Segundo o secretário, a gestão estadual conseguiu triplicar o número de licenças emitidas anualmente, reduzindo o tempo de tramitação sem comprometer o rigor técnico das análises.
“O licenciamento ambiental deixou de ser um gargalo para se tornar um aliado do desenvolvimento no Maranhão. Com o programa Simplifica, implementamos sistemas digitais e fluxos de trabalho que dão previsibilidade ao investidor. Hoje, o estado demonstra que é possível ter agilidade administrativa e segurança jurídica, respeitando integralmente a legislação ambiental vigente”, ressaltou.
Em continuidade ao tema de gestão, Roberto Matos, Secretário Adjunto de Planejamento e Orçamento do Estado do Maranhão (SEPLAN-MA), detalhou o plano estratégico “Maranhão 2050”. O projeto, que foi institucionalizado na Constituição estadual, estabelece metas de longo prazo para indicadores sociais e econômicos, garantindo que as prioridades do estado sejam mantidas independentemente das trocas de governo.
“O plano Maranhão 2050 é a nossa bússola para as próximas décadas, assegurando que investimentos em educação técnica, infraestrutura e inovação não sejam interrompidos. Ao constitucionalizar o planejamento, o estado oferece ao mercado e à sociedade civil uma garantia de continuidade, o que se reflete na nossa atual nota máxima de solvência fiscal junto ao Tesouro Nacional”, argumentou.
Mário Povia, diretor-presidente do IBI, contribuiu para o debate analisando a competitividade do Maranhão no cenário nacional. Ele destacou que a infraestrutura é o principal motor de produtividade e que o estado possui vantagens geográficas naturais que devem ser potencializadas por investimentos em tecnologia e governança.
“A logística maranhense é um diferencial competitivo para o Brasil, especialmente no comércio com o hemisfério norte e a Europa. O papel de instituições como o IBI é apoiar tecnicamente esses projetos, garantindo que o desenvolvimento econômico seja sustentado por uma infraestrutura resiliente e por marcos regulatórios que atraiam o capital privado de forma sustentável”, pontuou.
A atração de novos negócios foi o foco da fala de Cauê Aragão, presidente da Investe Maranhão. Ele destacou a recente aprovação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e os esforços para atrair indústrias de alto valor agregado, como a indústria naval e centros de dados, aproveitando a chegada de cabos submarinos de fibra óptica ao litoral maranhense.
“O Maranhão não quer ser apenas um corredor de exportação de commodities, mas um centro de industrialização e inovação. A ZPE, aliada aos incentivos fiscais e à nossa localização estratégica, cria um ambiente de negócios único no Brasil. Estamos prontos para receber indústrias que buscam eficiência logística e um governo que atua como facilitador do investimento produtivo”, salientou.
O Deputado Estadual Arnaldo Melo, presidente da Frente Parlamentar Pró-Logística e Transportes do Matopiba, trouxe a perspectiva do legislativo estadual e o impacto social das obras de infraestrutura. Ele enfatizou que o crescimento econômico deve resultar em melhoria direta na qualidade de vida da população, especialmente por meio da geração de empregos qualificados e do fortalecimento das economias locais.
“O desenvolvimento que discutimos aqui só faz sentido se chegar à ponta, transformando a realidade das famílias maranhenses. A Assembleia Legislativa tem sido parceira na aprovação de marcos legais que dão segurança aos investidores, garantindo que o progresso econômico seja acompanhado de responsabilidade social e oportunidades para os trabalhadores do nosso estado”, observou.
O encerramento do painel contou com a participação de Alex Ávila, Secretário Nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos. Ávila reafirmou o compromisso do governo federal com os projetos do Maranhão e reconheceu a legitimidade das preocupações levantadas sobre a RESEX Tauá-Mirim, informando que o tema está sendo tratado em nível ministerial.
“O Ministério de Portos e Aeroportos vê o Maranhão como uma peça-chave para a logística nacional. Estamos atentos aos desafios de expansão do Porto do Itaqui e trabalharemos para que as soluções ambientais não inviabilizem o crescimento econômico. O governo federal apoia o fortalecimento do sistema portuário maranhense como um vetor de desenvolvimento para todo o Brasil”, argumentou.