Maranhão de Oportunidades: ZPE e logística multimodal impulsionam novo ciclo industrial

Com investimentos previstos que superam os R$ 600 bilhões em projetos aprovados, o estado se posiciona como hub estratégico para exportação e energia limpa no Brasil. 

O Maranhão vive um momento de transformação estrutural que promete redefinir seu papel na economia nacional. Durante o Painel 3 do evento “Maranhão Day”, membros da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA), do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), autoridades e lideranças empresariais debateram o potencial das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) e a infraestrutura logística como motores de um novo ciclo de desenvolvimento sustentável. 

A política de ZPEs, embora existente desde 1988, alcançou um impulso histórico nos últimos três anos. O secretário executivo do Conselho Nacional de ZPEs do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) destacou que o país saltou de apenas duas zonas ativas para um cenário de nove unidades previstas até o final de 2026. O Maranhão, com sua ZPE aprovada recentemente, destaca-se pela velocidade de implementação e pela capacidade de atrair projetos de alto valor agregado. 

“A ZPE é um distrito industrial incentivado que funciona como uma zona primária, equiparada a um porto ou aeroporto pela Receita Federal. Isso gera benefícios fundamentais como competitividade, previsibilidade e segurança jurídica, com incentivos fiscais garantidos por 20 anos, prorrogáveis por mais 20″, explicou o secretário executivo. É um instrumento real para potencializar o desenvolvimento logístico e atrair investimentos portuários, ferroviários e rodoviários”, complementou. 

A estratégia maranhense foca na “indústria verde” e na economia digital. A presidente da ZPE Maranhão detalhou que a área já possui mais de 50% de seu espaço pré-reservado, com foco em projetos de hidrogênio verde, aço sustentável, biocombustíveis e centros de dados. A localização estratégica, próxima ao Porto do Itaqui e conectada a importantes ferrovias, é o principal diferencial competitivo para investidores globais. 

“Nós temos hoje oito grandes projetos protocolados, sendo três já aprovados pelo conselho nacional. O Maranhão se posiciona para ser um hub de energia renovável e tecnologia”, afirmou a presidente da ZPE. 

“Um exemplo concreto é o cabo submarino EllaLink, que já é uma realidade e trará conectividade de alta performance, permitindo a instalação de data centers de grande porte dentro da nossa área incentivada”, ressaltou. 

Mão de obra qualificada 

A infraestrutura logística, no entanto, é apenas uma parte da equação. O presidente da Investe Maranhão ressaltou que o estado tem investido pesadamente na qualificação da mão de obra e na modernização dos processos de atração de negócios. Programas em parceria com o sistema S e escolas profissionalizantes buscam garantir que o crescimento econômico se traduza em empregos qualificados para a população local. 

“O Maranhão possui uma vantagem multimodal única, com portos de águas profundas e ferrovias que conectam o interior do país ao mercado externo. Além da infraestrutura física, estamos investindo na plataforma Maranhão Digital e em programas de capacitação para que o investidor encontre aqui não apenas incentivos fiscais, mas também o capital humano necessário para operar indústrias de alta tecnologia”, pontuou. 

Gargalos 

Apesar do otimismo, o setor produtivo alerta para gargalos que ainda precisam ser superados. O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) apontou que a recuperação das rodovias federais (BRs) e a redução do custo da energia são essenciais para manter o ritmo de crescimento, que atualmente supera a média nacional. Ele também expressou preocupação com entraves ambientais que podem limitar a expansão industrial em áreas estratégicas. 

“O Maranhão cresce acima da média brasileira, com destaque para setores como siderurgia, celulose e mineração. Contudo, precisamos de atenção contínua à infraestrutura rodoviária e ao diálogo sobre regulamentações ambientais, como a criação de reservas que podem impactar o desenvolvimento portuário”, declarou. 

“A indústria acredita no estado, mas a segurança jurídica e a infraestrutura básica são os pilares que sustentam esse investimento”, argumentou. 

O painel encerrou reforçando o compromisso de articulação entre o governo federal, estadual e o setor privado. Com a ZPE Maranhão avançando para as obras de implementação, a expectativa é que os primeiros projetos âncora comecem a operar em curto prazo, consolidando o estado como uma fronteira de oportunidades para o comércio exterior brasileiro. 

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