Mário Povia e Mauro Sammarco debatem o futuro da Infraestrutura de transportes em São Paulo

Durante o Fórum Band 2025, os representantes do IBI falaram sobre a urgência de políticas de Estado e o papel do Porto de Santos para o desenvolvimento econômico do país. 

O presidente do Conselho de Administração, Mauro Sammarco, e o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mário Povia, participaram, nesta segunda-feira (20), dos debates do Fórum Band 2025. O evento tratou dos desafios das Exportações Brasileiras e discutiu os principais pontos da relação entre Porto, Indústria e Agronegócio no país. 

Mauro Sammarco e Mário Povia participaram do painel “O crescimento Econômico do Estado de São Paulo”, que teve como principal objetivo debater a economia do estado com representantes empresariais e governamentais, além de aproximar o segmento portuário de seus principais usuários. 

O painel contou ainda com a participação do presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, da secretária de Desenvolvimento Econômico e Portuário do Município de Guarujá, Thais Margarido, e teve a mediação da professora do Centro de Excelência Portuária de Santos (CENEP) e da Universidade Santa Cecília, Maria Cristina Gontijo. 

Mário Povia abriu sua fala destacando o persistente desafio da atividade logística em São Paulo e no Brasil, atribuindo essa dificuldade à “histórica falta de investimentos em infraestrutura de transportes” e à escassez de recursos públicos para tal fim, dada a priorização para as áreas sociais como saúde e educação. Povia explicou que, nesse cenário, as diversas modalidades de concessão se tornaram cruciais para atrair capital privado.  

“São Paulo vai ser sempre um desafio, um desafio porque nós historicamente investimos menos do que o necessário em infraestrutura, principalmente porque o nosso cobertor é curto. O Brasil é um país de disparidades regionais,” afirmou.  

O diretor-presidente do IBI fez questão de diferenciar concessão de privatização, explicando que “conceder é colocar na mão de um privado a gestão pública de um ativo” um processo que, para ele, acontece sob regras claras e dentro de um setor regulado, sempre com foco no interesse público. 

Povia também criticou a falta de continuidade no planejamento de longo prazo para a infraestrutura brasileira, defendendo que sejam adotadas “políticas de Estado e não políticas de governo”. Na sua visão, o país perdeu o “DNA de planejar a infraestrutura,” o que leva o setor a ações de curto prazo. Ele citou ainda projetos do instituto, como o IBI Social, que foca na sustentabilidade e na capacitação de trabalhadores portuários, e o Observatório de Dados de Transporte, que busca fornecer dados confiáveis para os parlamentares que integram a FPPA.  

Durante a sua fala, o diretor-presidente do IBI apontou o segmento de reparação naval como uma grande oportunidade para o setor portuário, já que a docagem de embarcações são realizadas atualmente fora do país.  

“A indústria de reparação naval, por exemplo, é uma grande oportunidade que temos. Toda embarcação tem que ser docada de tempos em tempos. Hoje nós estamos docando em Portugal e na China”, ressaltou Povia, mostrando o grande potencial ainda não aproveitado no Brasil. 

Política de Estado 

Mauro Sammarco, por sua vez, elogiou a atual gestão do Porto de Santos e enfatizou a importância da atuação da sociedade civil organizada para garantir a continuidade de projetos estratégicos. Ele destacou o papel da Associação Comercial de Santos (ACS) e do IBI nessa participação ativa.  

“É papel nosso, da questão de ter política de Estado, você poder viabilizar, principalmente infraestrutura, que são projetos a longo prazo, e a gente tem ciclos políticos mais curtos do que os ciclos de infraestrutura,” disse Sammarco. Ele enfatizou que a sociedade deve atuar para que os projetos sejam concretizados e sigam adiante, mesmo com as mudanças políticas. 

Sammarco também abordou o impacto da reforma tributária, prevendo um equilíbrio na “guerra fiscal” entre os estados. Essa mudança pode atrair de volta para Santos cargas que antes eram escoadas por outros portos. O engenheiro mencionou que o Porto de Santos, que é um “indutor econômico fortíssimo” e movimenta 30% do comércio exterior brasileiro, precisa urgentemente da licitação do terminal de contêineres Tecon Santos 10 para expandir sua capacidade.  

Além disso, Sammarco destacou a importância da sustentabilidade e inovação, citando a produção de hidrogênio verde e a necessidade de Santos se preparar para ser um polo de abastecimento de novos combustíveis para navios, e a demanda por serviços navais para embarcações com problemas, já que “nós não temos berço de serviço no porto de Santos” o que causa grandes desafios na logística. 

Os debatedores concordaram que o Porto de Santos deixou de ser apenas um local de armazenamento e movimentação de cargas para se tornar um vetor de desenvolvimento econômico regional.  

Eles ressaltaram a visão de um setor portuário que combina multimodalidade, um forte arranjo produtivo, sustentabilidade e inclusão social, atento a desafios como o crescimento do agronegócio, as demandas de óleo e gás, e a era da energia limpa. A conversa no Fórum Band 2025 evidenciou a importância de que governo e sociedade trabalhem juntos para transformar desafios em oportunidades, assegurando um futuro promissor para a infraestrutura e a logística de São Paulo. 

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