Mauro Sammarco destaca caminho técnico para portos e hidrovias mais resilientes durante seminário PIANC Brasil

Durante participação no Painel III do seminário, presidente do Consad do IBI defendeu integração entre engenharia, meio ambiente e dados confiáveis para destravar projetos

O presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (Consad-IBI), Mauro Sammarco, participou, nesta terça-feira, do Painel III do I Seminário PIANC Brasil — Diálogo Técnico: Diretrizes Globais e Desafios Nacionais — Impacto em Portos e Hidrovias. 

Em sua fala, o engenheiro defendeu que a agenda de sustentabilidade no transporte aquaviário precisa sair do campo conceitual e traduzir-se em planejamento, método e integração entre engenharia, regulação e informação. Para Sammarco, é essa combinação que reduz incertezas, confere previsibilidade ao licenciamento e ajuda a destravar projetos em portos e hidrovias. 

O seminário reuniu especialistas, autoridades públicas, pesquisadores e profissionais do setor em um espaço de diálogo técnico e institucional sobre os desafios contemporâneos da infraestrutura aquaviária no país. 

A iniciativa foi apresentada como a primeira ação institucional da Seção Nacional dedicada à análise técnica estruturada das diretrizes da PIANC — a Associação Mundial de Infraestrutura de Transporte Aquaviário —, aplicadas ao contexto brasileiro, e contou com apoio institucional do IBI. 

O painel — dedicado a questões ambientais e à sustentabilidade na infraestrutura do transporte aquaviário — foi moderado por Larissa Amorim, diretora do Programa de Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Também compuseram a mesa Uirá Cavalcante (gerente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da ANTAQ), Mauricio Gaspar (assessor da presidência da Autoridade Portuária de Santos — APS), Heli Fernandes (coordenador de Engenharia Portuária e Infraestrutura Marítima do Porto do Açu), Priscila Farias (diretora da Sociedade Brasileira de Hidrografia — SBHidro) e Conrado Bertoluzzi (diretor-presidente do Viagreen Institute). 

Ao longo do painel, os debatedores convergiram em um ponto: a pauta ambiental não é um “capítulo à parte” dos empreendimentos — ela está no centro das decisões de viabilidade, risco e competitividade de portos e hidrovias. 

Nesse sentido, ganhou força a ideia de aproximar o debate brasileiro das diretrizes, dos relatórios técnicos e das recomendações internacionais da PIANC, com foco em soluções que reduzam impactos, aumentem a previsibilidade e ampliem a resiliência operacional. 

Um dos eixos centrais foi o licenciamento ambiental, especialmente no que se refere à dragagem — atividade essencial para manter as profundidades de navegação e garantir a segurança operacional. Foi destacado que mudanças regulatórias e interpretações divergentes podem gerar insegurança quanto ao que é “rotina operacional” e ao que é “obra com impacto significativo”, afetando cronogramas e custos. 

Para os debatedores, previsibilidade regulatória e qualidade técnica dos estudos precisam caminhar juntas para evitar uma lógica permanente de resposta a emergências. 

Na discussão sobre soluções, foi citada a lógica das soluções baseadas na natureza e a filosofia Working with Nature (Trabalhar com a Natureza), difundida pela PIANC, como alternativa prática para enfrentar problemas recorrentes, como assoreamento, dragagens sucessivas e eventos climáticos extremos. 

A abordagem propõe que o setor combine engenharia e processos naturais para reduzir a sedimentação, melhorar o desempenho dos canais e diminuir efeitos adversos. 

Nesse contexto, Mauricio Gaspar, da APS, chamou atenção para a necessidade de incorporar a adaptação climática ao planejamento portuário, diante de uma operação cada vez mais pressionada por eventos severos e mudanças no comportamento do sistema costeiro e hidrodinâmico. A ideia de planejar para cenários críticos deixou de ser prudência e passou a ser condição de continuidade operacional. 

Heli Fernandes, do Porto do Açu, reforçou o papel da engenharia e do monitoramento para reduzir impactos e aumentar a eficiência, destacando abordagens de gestão de sedimentos que vão além do descarte tradicional. Ele mencionou estratégias como a colocação estratégica e o uso benéfico do material dragado, quando técnica e ambientalmente adequado, desde que haja estudos, acompanhamento e governança. 

Ao trazer a perspectiva científica, Priscila Farias, da SBHidro, destacou que decisões robustas dependem de base técnica consistente e defendeu o fortalecimento do monitoramento e das séries históricas. Para ela, sem medições confiáveis, batimetrias e integração de bases de dados, o setor corre o risco de decidir com baixa precisão — o que encarece obras, aumenta a incerteza e enfraquece a credibilidade dos projetos. 

Já Conrado Bertoluzzi, do Viagreen Institute, avaliou que a agenda climática exige mudança de postura também do setor privado, com a transição de uma cultura reativa para um modelo de mensuração, mitigação e adaptação. Ele ressaltou que não se trata apenas de reduzir emissões, mas de preparar ativos e cadeias logísticas para os impactos físicos do clima, com reflexos em seguros, risco operacional e continuidade dos negócios. 

Na participação de Mauro Sammarco, o presidente do Consad do IBI conectou os temas do painel ao cotidiano da operação portuária e à necessidade de acelerar uma agenda técnica que dê sustentação a investimentos. Ele enfatizou que sustentabilidade não é discurso e que o setor precisa atuar com antecipação, especialmente diante de extremos climáticos que já pressionam a segurança e a disponibilidade dos ativos. 

Sammarco também apontou que a resposta passa por melhor engenharia, melhor regulação e melhor informação, e que a integração desses três elementos é decisiva para reduzir incertezas e aumentar a competitividade. 

O painel ainda destacou que a convergência entre as diretrizes internacionais e a realidade brasileira depende de institucionalidade, reforçando o papel da Seção Nacional da PIANC que, desde 5 de dezembro do ano passado, está sob a presidência de Ricardo Falcão, conselheiro do Instituto Praticagem do Brasil, entidade associada ao IBI. 

Localização:

St. de Habitações Individuais Sul
QL 26 – Lago Sul, Brasília – DF

©2024 FPPA – Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos

(61) 3543-4283