Delegações da FPPA e do IBI concluem etapa na China, absorvendo lições em tecnologia, eficiência e desburocratização do Porto de Hong Kong para subsidiar o PL 733/2025.
A segunda etapa da Missão Ásia, que trata do ciclo de visitas técnicas aos portos da Coreia do Sul e da China, por parte dos parlamentares da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e de representantes do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), foi realizada em Hong Kong, região administrativa especial da China.
A comitiva brasileira iniciou sua agenda com um importante encontro no Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong. Na ocasião, a delegação foi recebida pelo Embaixador Wladimir Valler Filho, que, em sua gestão desde janeiro de 2025, tem focado no estreitamento das relações comerciais e econômicas.
O embaixador destacou a relevância estratégica da cooperação bilateral, especialmente considerando o volume de US$ 3,4 bilhões em trocas comerciais bilaterais, um aumento de 18% em apenas um ano. Segundo a comitiva parlamentar, a experiência do diplomata em Cooperação Técnica Internacional (CTI) reforça a visão de que a modernização portuária pode ser um vetor para a internacionalização do conhecimento logístico brasileiro, com o objetivo de promover exportações e abrir novos mercados.
O ponto alto da missão, contudo, foi a visita técnica ao mundialmente renomado Porto de Hong Kong. Reconhecido como um dos maiores centros logísticos e comerciais do planeta, o porto movimentou mais de 20 milhões de TEUs (unidades equivalentes a vinte pés) em 2024, consolidando sua posição entre os dez maiores portos de contêineres do mundo.
Sua localização estratégica na foz do Rio das Pérolas confere-lhe um papel vital no comércio internacional, funcionando como um hub de transbordo essencial que conecta o Oriente ao Ocidente.
O deputado Murilo Galdino, presidente da Comissão Especial do PL 733/2025 e membro da FPPA, compartilhou suas impressões sobre a infraestrutura e a operação do porto chinês:
“Acabamos de visitar aqui o Porto de Hong Kong, um dos maiores portos da Ásia, do mundo, que opera integralmente, movimentando mais de 20 milhões de unidades de contêineres por ano. Visitamos agora o terminal operado pela empresa Hutchison, que é responsável por 65% das operações do porto e, para vocês terem uma ideia, atua em mais de 20 países ao redor do mundo.”
A infraestrutura do Porto de Hong Kong é composta por nove terminais de águas profundas na região de Kwai Tsing, operados por cinco empresas privadas líderes do setor, o que demonstra um modelo de governança baseado em concessões múltiplas, nas quais a autoridade pública atua minimamente como reguladora. Esses terminais são equipados com tecnologia de ponta, incluindo guindastes de cais de última geração e sistemas automatizados, capazes de manusear os maiores navios porta-contêineres, com uma conectividade impressionante a 470 destinos internacionais.
Contexto geral
Já o deputado Arthur Maia, relator do PL 733/2025 e membro da FPPA, trouxe um panorama geral da missão, afirmando que a série de visitas e encontros técnicos foi um sucesso, pois fortaleceu o compromisso dos parlamentares e representantes do setor de infraestrutura em buscar as melhores referências internacionais para aprimorar a legislação e a gestão portuária no Brasil.
Segundo o parlamentar, as lições aprendidas em Hong Kong, especialmente no que tange à desburocratização, eficiência operacional, automação e sustentabilidade, servirão de inspiração fundamental para o debate do Projeto de Lei nº 733/2025, visando a maior competitividade e um futuro mais promissor para os portos brasileiros.
“Estamos aqui encerrando essa nossa missão e saímos daqui com grandes lições. Primeiro, essa extraordinária forma mais prática e objetiva com que, aqui na Ásia, se desenvolve a atividade portuária. Segundo, a questão ambiental e a forma como ela é trabalhada, de maneira muito mais objetiva e realista.”
Tecnologia e boas práticas
A digitalização e a sustentabilidade são prioridades no Porto de Hong Kong. Atualmente, o porto investe em sistemas de gestão portuária baseados em inteligência artificial para otimizar o planejamento de berços e pátios, além da automação de processos de carga e descarga com guindastes controlados remotamente e veículos guiados automaticamente.
O uso de blockchain garante maior transparência e segurança na cadeia de suprimentos, enquanto a implantação de sensores IoT (Internet of Things) permite o monitoramento em tempo real e a manutenção preditiva. No campo da sustentabilidade, o porto adota programas de energia solar, desenvolve estudos para energia eólica offshore e promove a aquisição de energia verde, buscando a descarbonização e a resiliência urbana.
A deputada da FPPA Daniela Reinehr, 1ª vice-presidente da Comissão, reforçou a necessidade de adaptar essas práticas à realidade brasileira, incluindo aspectos de governança e incentivos à chegada de novas iniciativas privadas na região:
“Nós estamos em um dos portos mais eficientes do mundo. E, além da expectativa de tudo o que estamos buscando para melhorar a legislação brasileira, saímos daqui com muitos ensinamentos em tecnologia, boas práticas e governança, mas, especialmente, naquilo que realmente precisamos mudar na legislação brasileira, que é a desburocratização, que é permitir que a livre iniciativa se manifeste e aflore no nosso país, porque é isso que traz desenvolvimento para todos os países, independentemente da forma como sejam governados”, disse.
Impactos positivos
Mauro Sammarco, presidente do Conselho de Administração do IBI, participou dos encontros e visitas técnicas junto aos parlamentares da FPPA e destacou o impacto direto da desburocratização na atração e consolidação de empresas no porto chinês:
“Visitamos hoje o Porto de Hong Kong, que, além da importância para o Sudeste Asiático, é um dos maiores portos do mundo, e também a empresa Hutchison, que opera esse porto e possui presença em 24 países. Um grande operador, o maior operador de terminais do mundo. Então, muitas lições aprendidas em tudo: em tecnologia, em operação portuária deles, que hoje está muito evoluída em termos de produtividade”, afirmou.