Missão Brasil Export França 2025: Balanço de Oportunidades e Desafios para a Infraestrutura Portuária

Em Paris, o diretor-presidente do IBI, Mário Povia, detalha discussões sobre descarbonização, melhorias de acesso, o futuro de Santos e o cenário político regulatório do setor portuário brasileiro. 

O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mário Povia, fez um balanço de todas as atividades realizadas na semana da Missão Internacional França 2025 do Brasil Export, destacando uma série de pontos cruciais para o futuro da infraestrutura portuária e logística do Brasil. As discussões abrangeram desde inovações ambientais até debates regulatórios e a visão política do setor. 

Uma das primeiras abordagens que mereceu destaque, segundo Povia, foi a visita ao complexo portuário de Le Havre, na França. Este polo portuário, que inclui um terminal de contêineres, uma grande tancagem e conexão direta com Paris, apresentou iniciativas que inspiram o modelo brasileiro.  

Entre os pontos notáveis, Povia sublinhou “o desenvolvimento de um canal hidroviário para transportar as cargas de Le Havre a Paris, sem passar pela cidade em caminhões, já que Paris tem um trânsito muito complicado”. Essa solução, que utiliza o Rio Sena, visa a descarbonização e a melhoria da mobilidade urbana, um modelo que, para Povia, “pode inspirar projetos semelhantes no Brasil, especialmente em Santos”. Ele também ressaltou o compromisso de Le Havre com a descarbonização, exemplificado pela eletrificação dos cais, permitindo que navios atraquem sem queimar carbono. 

De acordo com o diretor-presidente do IBI, o encontro de debates sobre o futuro do Porto de Santos foi um dos painéis mais quentes, com a participação de Anderson Pomini, presidente do porto, e representantes de grandes terminais como DPW, ABTP e Santos Brasil. Pomini detalhou as “principais obras previstas para o porto de Santos, incluindo dragagens para o aprofundamento do calado para 16 metros e, depois, para 17 metros, e o Túnel Santos-Guarujá”, classificando-as como estruturantes.  

“A questão do TECON Santos 10 gerou discussões acaloradas, com Luciana Guerise (DPW) e Eliezer Giroux (ABTP) expressando preocupações com as restrições nos certames, que inibem a participação de investidores estrangeiros. Ricardo Buteri (Santos Brasil) focou na preocupação sistêmica com o acesso rodoviário, projetando um salto de 12 mil para 29 mil caminhões/dia, um desafio que exige muito, sendo algo necessário algo ser feito para resolver essa questão”, explicou. 

Povia falou ainda sobre o debate sobre acessos e infraestrutura se estendeu a outro painel, que abordou o desenvolvimento de municípios portuários, com a presença de Pomini e Bruno Orlandi, Secretário de Portos e Emprego de Santos. A Bahia, por exemplo, apontou que “o setor ferroviário não chega até os portos, não chega em Ilhéus, Aratu ou Salvador, e que é necessário mudar essas infraestruturas de conectividade”. Orlandi reforçou a “necessidade de melhorias na mobilidade urbana da cidade e da integração entre o porto e a cidade”. 

Outro painel de destaque do ex secretário de Portos foi focado em estimular negócios entre Brasil e França, com a presença do complexo portuário de Le Havre/Paris e APEX Brasil, reiterou a importância do modal hidroviário. Povia viu no projeto francês uma inspiração: “Não é um projeto de grande escala, mas tem um forte apelo social, principalmente em termos de mobilidade urbana.” A França, segundo ele, investe em hidrovias sem foco exclusivo em retorno financeiro, mas com o objetivo de avançar na mobilidade urbana, uma lição valiosa para o Brasil. 

O diretor-presidente do IBI explicou que a agenda incluiu um coquetel na Embaixada do Brasil em Paris, onde o Ministro Silvio Costa Filho revelou a intenção de concorrer ao Senado Federal, deixando o ministério em abril do próximo ano, mas não descartou a permanência caso solicitado pelo Presidente Lula. Ele também defendeu a manutenção de um ministério específico para portos e aeroportos, uma “pretensão antiga do setor”.  

Mário Pavia relatou que o último evento em Paris foi um debate com os principais stakeholders das associações portuárias, focando no PL 733. A discussão abordou desde a distribuição de competências entre ANTAQ, autoridades portuárias e ministério até a necessidade de maior detalhamento na legislação e o fortalecimento dos Conselhos de Autoridade Portuária (CAPs).  

Na ocasião, segundo o diretor-presidente do IBI, deputado Arthur Maia, relator do PL 733, criticou a postura do ministério nas negociações e defendeu uma participação mais ativa dos CAPs, questionando a necessidade de uma agência reguladora para o setor aquaviário. Mário Povia encerrou o balanço destacando a complexidade e a riqueza dos debates, que delineiam os próximos passos para a infraestrutura portuária brasileira.  

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