Painel II IBI Santos: Educação Portuária: Construindo Pontes entre Porto, Cidade e Futuro

A segunda rodada de debates da mesa-redonda do IBI Social destacou o papel da formação profissional na integração porto-cidade, com foco em inclusão social, capacitação de jovens e políticas públicas. 

O segundo painel da Mesa Redonda “Conexões que Transformam: Porto, Educação e Sustentabilidade”, promovido pelo IBI Social, braço ESG da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA), reuniu líderes acadêmicos, empresariais e governamentais para discutir iniciativas que vão da qualificação técnica à conscientização ambiental, passando pela redução de desigualdades. 

Moderado por Eliane Sammarco, presidente do IBI Social, o painel faz parte de um ciclo de debates promovido pelo instituto e enfatizou a pluralidade do setor portuário, superando a visão tradicional de “força bruta” para abraçar oportunidades inclusivas. 

Eliane Sammarco abriu os trabalhos reforçando que a educação deve ser analisada como um pilar contínuo de aprofundamento dentro do setor portuário. 

“Estamos em uma era de estudo perpétuo. O Porto de Santos revela um universo de oportunidades inimagináveis, e o IBI Social, em menos de um ano, mapeia essas vagas via Observatório. Passamos da visão de força bruta para pluralidade: todos cabem no Porto”, declarou ela. 

Após a fala da presidente do IBI Social, foi a vez do gerente do Observatório de Dados do Instituto, Bruno Pinheiro, apresentar os projetos que vêm sendo realizados pela entidade. 

O engenheiro voltou a defender que “dados superam opiniões. Não regulamos sem base factual. É inviável”, disse ele, citando casos como o agendamento automático de caminhões nos terminais Santos Brasil, DPW e BTP, que otimiza trânsito e gera fluxos logísticos na Baixada. 

Porto nas Escolas 

Pinheiro fez questão de apresentar o estudo que vem sendo estruturado pelo Observatório em parceria com o IBI Social. Batizado de “Porto nas Escolas”, o trabalho busca analisar o perfil socioeconômico e educacional da força formal no complexo portuário (Santos como epicentro, mais Guarujá, Cubatão e São Vicente), tendo como base o registro administrativo anual obrigatório enviado pelas empresas ao governo federal, contendo dados de todos os funcionários formais (RAIS) dos últimos cinco anos, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

As análises têm como principal foco a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) de operações portuárias essenciais, de navegação de apoio, de armazenagem/logística e multimodal. As variáveis incluem 12 níveis de escolaridade, remuneração média, CBO, gênero, faixa etária, vínculos e permanência. 

“Compararemos com médias estaduais e nacionais, detectando skill gaps, prêmios salariais por educação e impactos de automação. Entregas em 24 semanas: relatório técnico exaustivo, dashboard interativo com filtros, KPIs e exportação, apresentação executiva e base tratada”, detalhou Pinheiro. 

O cronograma de execução prevê as seguintes fases: Planejamento (2 semanas); Coleta (4 semanas); Análise (6 semanas); Relatório (4 semanas); Dashboard (3 semanas) e Finalização (5 semanas). 

Contribuições 

O encontro contou com a participação de Marcelo Teixeira Filho, pró-reitor administrativo da Unisanta. Em sua fala, o acadêmico apresentou brevemente as contribuições acadêmicas da Unisanta para o setor portuário e logística, e abriu o espaço para futuras parcerias com o observatório e com o IBI Social. 

“Somos pioneiros com Direito Portuário obrigatório no curso de Direito – primeira instituição no Brasil –, integramos Ceportos (CNPq) em Porto-Cidade, Porto-Zona Costeira e trabalho marítimo. Formamos egressos para portos nacionais; estamos à disposição para dados do Observatório”, declarou. 

Pedro Cunha, gerente de Programas da Fundação IOSP (Instituto Formare IOCHPE), contribuiu para futuras análises detalhando que a qualificação é transformadora para a sociedade. Afirmou que o Programme for International Student Assessment da OCDE – avaliação realizada a cada três anos que mede a capacidade de jovens de 15 anos de aplicar conhecimentos em leitura, matemática e ciências em situações do cotidiano – mostra queda na certeza de carreira entre jovens (2015-2025) por falta de referências, enfatizando o desperdício de talentos no entorno portuário. 

Explicou ainda que o Programa de qualificação profissional voltado para jovens em situação de vulnerabilidade econômica e social (Formare), promovido pelo instituto, vem transformando a vida das pessoas e contribuindo para um futuro mais sustentável. 

“Formare eleva orgulho, propósito e competências via voluntariado, integrando setores. A OCDE alerta: jovens vulneráveis com alto PISA sonham menos com educação superior. Quebrar o tabu do técnico como ascensão social é urgente”, enfatizou, inspirado em estudos Itaú/Suzano sobre requalificação tech. 

Os debates contaram com a participação de André Fleury Bonini, presidente da Fundação CENEP, que atualizou os dados do “Programa Navega Jovem”, uma iniciativa da Fundação Centro de Excelência Portuária de Santos (CENEP) de formação, orientação profissional e inclusão produtiva voltada a jovens, com foco no setor portuário, logístico e em suas interfaces com tecnologia, ESG e inovação. A iniciativa busca aproximar juventudes do ecossistema portuário, promovendo conhecimento, pertencimento e empregabilidade. 

“As inscrições encerraram e o edital com os aprovados já foi publicado. A próxima etapa é a prova. Agradeço o convite para exposição neste colegiado, que é pequeno em número, mas gigante em qualidade; o nível das discussões e provocações é excelente e merece ampla divulgação”, argumentou. 

O governo federal também esteve presente no encontro, sendo representado por Karenina Martins, assessora do Ministro das Cidades. A servidora destacou a capacitação de agentes públicos e sociais para reduzir assimetrias na relação porto-cidade. Mencionou ainda o programa Capacidades (ferramenta para mapear competências) e se colocou à disposição para parcerias, combinando expertises para ações conjuntas em educação e desenvolvimento urbano sustentável. 

“Esta discussão nos enriquece nos temas importantes que tratamos. Participar dessa educação porto-cidade é muito importante. No Ministério das Cidades, há total correlação com Transportes e Portos. Compartilho uma página para contextualizar: capacitação de agentes públicos e sociais das três esferas, reduzindo assimetrias”, falou. 

Elogios 

Os dois painéis promovidos pela mesa-redonda foram acompanhados pela vice-prefeita de Santos e secretária municipal de Educação, Audrey Kleys. Em seu discurso de encerramento dos trabalhos, a vice-prefeita demonstrou muita satisfação com as exposições, além de compartilhar experiência recente de qualificação de 20 mulheres do programa Emprega Mulher como vistoriadoras de contêineres no terminal. 

“No programa Emprega Mulher, qualificamos 20 mulheres como vistoriadoras de contêineres em terminal portuário – depoimentos emocionantes mostraram como visitas práticas transformam vidas e abrem portas para o mercado de trabalho. Agradeço pelo convite inspirador e pelo lançamento da sede do IBI, que reforça nossa cidade como referência mundial na articulação porto-cidade. O instituto é essencial para unir forças, potencializar talentos locais e construir um futuro sustentável e inclusivo para todos”, disse. 

Localização:

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