Patrício Júnior: Da Marinha Mercante aos Portos do Mundo e os Desafios do Brasil

Diretor de Investimentos da TiL compartilha experiência internacional, critica a falta de planejamento e a lentidão da democracia nos processos brasileiros, defendendo a ambição e a abertura para o novo. 

O PodInfra — o podcast da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) — desta semana conta com a participação do Diretor de Investimentos da Terminal Investment Limited (TiL), Patrício Júnior. 

Em um bate-papo leve, mas carregado de informação, Patrício falou sobre sua trajetória de vida, bem como fez um paralelo com o setor portuário nacional. Abordou também a experiência de um brasileiro em altos cargos internacionais, a importância de uma visão global para o desenvolvimento da infraestrutura brasileira e sua perspectiva crítica sobre a burocracia e a falta de planejamento contínuo no país. 

Com uma carreira de mais de 40 anos, Patrício Júnior compartilhou sua rica jornada profissional. Oficial da Marinha Mercante, o diretor viajou o mundo por 12 anos e ocupou posições de liderança significativas, como presidente do Porto de Aqaba, na Jordânia, e diretor comercial para toda a América Latina do IPM Terminal no Panamá. Sua vivência abrange desde o contato direto com estivadores, onde afirma sentir-se “mais à vontade”, até interações em altos níveis diplomáticos. 

Sobre sua trajetória e o desafio de ser um profissional brasileiro em um cenário global, Patrício Júnior detalhou a complexidade e o valor de sua bagagem. O Diretor de Investimentos enfatizou a importância de trazer a experiência internacional para o Brasil, mesmo reconhecendo que a mentalidade local muitas vezes resiste à mudança. 

“Eu nasci e fui criado no Rio, sou oficial da Marinha Mercante, viajei 12 anos da minha vida. Hoje eu tenho 64 anos e tenho dois filhos. Trabalhei em todos os níveis, conversando tanto com o estivador quanto com o embaixador. E, particularmente, eu me sinto mais à vontade falando com o estivador. Porque ali é a conversa franca e quem me conhece sabe que o meu perfil é ser muito franco, não mando recado, sou da política de ‘ame-o ou deixe-o'”, disse. 

Patrício Júnior também teceu críticas à falta de ambição e à ‘visão pequena’ do setor portuário brasileiro, que, segundo ele, ainda se vê como uma ‘caixinha fechada’. O diretor comparou a movimentação de terminais nacionais com os maiores do mundo, exemplificando com o Porto de Antuérpia e o terminal da TiL. 

“Um bom exemplo, com todo respeito, é que estamos enaltecendo um terminal de 3,5 milhões de TEUs quando, na realidade, no contexto mundial, é um bom terminal. E nós estamos criando uma batalha, um Cavalo de Troia, o maior do Brasil, o maior da América Latina, que vai mudar o Brasil. É brincadeira! Nós temos o Brasil, hoje, movimentando 11 milhões de TEUs. Nosso terminal em Antuérpia tem 9 milhões de TEUs de capacidade e, em sua época boa, movimenta tudo”, argumentou. 

Uma das reflexões mais incisivas de Patrício Júnior abordou a dinâmica da tomada de decisões e a influência da democracia em grandes projetos de infraestrutura. Para ele, embora a democracia seja o melhor sistema, a lentidão de seus processos democráticos possui seus deméritos. 

“A democracia é o melhor sistema que existe, mas possui suas complicações. A tal ponto que a empresa privada não é democrata. A empresa privada tem um dono, tem um chefe. Você faz; se não quiser, vai embora. Você recebe o planejamento, você segue”, explicou. 

O diretor de Investimentos da TiL reforçou a necessidade de políticas de Estado de longo prazo, citando Brasília como o último grande exemplo de planejamento nacional. A rotatividade de governos e a prática de desfazer o que foi feito pelo antecessor criam uma insegurança jurídica que afasta investimentos. 

Patrício também mencionou a burocracia e os custos adicionais impostos ao setor, usando como exemplo os problemas da BR-101 e a falta de planejamento para o escoamento de cargas, que encarecem o ‘Custo Brasil’. 

A importância de órgãos como o Cade, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e o Tribunal de Contas da União (TCU) foi destacada, mas com a ressalva de que esses órgãos precisam de autonomia para agir. 

O PodInfra está disponível no Canal do YouTube da FPPA. Para acessar, clique no botão abaixo. 

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