Pesquisa mostra que deputados avaliam infraestrutura de transportes como negativa

Levantamento do Ranking dos Políticos em parceria com o IBI aponta as ferrovias como o maior gargalo da infraestrutura nacional  

A infraestrutura de transportes brasileira segue longe de atender às expectativas do Parlamento. Essa é a principal conclusão da pesquisa realizada pelo Ranking dos Políticos, em parceria com o Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), cujos resultados foram apresentados no dia 11 de fevereiro, durante a cerimônia de Abertura do Ano Legislativo FPPA/IBI, em Brasília. 

O levantamento, que ouviu parlamentares da legislatura 2022/2026, traz um retrato detalhado da percepção dos deputados federais sobre os principais gargalos logísticos e regulatórios do país — e revela um diagnóstico predominantemente negativo. 

De acordo com os dados, 56,9% dos deputados avaliam a infraestrutura de transportes do Brasil como ruim ou péssima. Apenas 20,2% a consideram boa ou ótima, enquanto o restante a classifica como regular. A predominância de respostas negativas demonstra que, para o Congresso, o setor ainda não alcançou um nível minimamente satisfatório capaz de sustentar o crescimento econômico, reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade internacional do país. 

Logo no início da apresentação, os organizadores destacaram que o levantamento funciona como um sinal de alerta — não apenas para o Executivo, mas também para o próprio Legislativo, que desempenha papel decisivo na formulação de políticas públicas e marcos regulatórios. A análise também ganhou relevância por ter sido apresentada em um momento marcado por forte movimentação política no Congresso e por expectativas eleitorais que já influenciam a dinâmica institucional. 

Durante a cerimônia, o diretor de Operações do Ranking dos Políticos, Luan Sperandio, ressaltou que a pesquisa mostra um Parlamento cada vez mais atento às deficiências estruturais do país. Ele afirmou que “os dados deixam claro que existe uma demanda reprimida por eficiência. Quando a maioria dos deputados avalia a infraestrutura como negativa, isso indica não apenas insatisfação, mas a percepção de que o Brasil está perdendo competitividade por falta de investimentos consistentes e ambiente regulatório adequado”.  

Sperandio também destacou que diagnósticos assim contribuem para orientar políticas públicas e fortalecer o debate técnico no Congresso. 

Setor ferroviário concentra maior insatisfação 

Entre todos os segmentos analisados, a malha ferroviária foi, de longe, aquele que recebeu as avaliações mais duras. Segundo o estudo, sete em cada dez deputados entrevistados — um total de 71,6% — consideram o sistema ferroviário brasileiro negativo. Apenas 15,6% o avaliam positivamente. 

Esse dado evidencia um consenso amplo no Parlamento sobre a urgência de modernizar e expandir o modal ferroviário, historicamente marcado por baixa densidade, falta de integração e infraestrutura insuficiente. Apesar de iniciativas recentes — como autorizações ferroviárias, novos projetos de ligação e concessões —, a percepção predominante é de que a execução ainda ocorre em ritmo insuficiente. 

Segundo Sperandio, “a infraestrutura ferroviária simboliza o atraso estrutural que precisa ser enfrentado com planejamento e continuidade. Não há desenvolvimento duradouro sem uma malha ferroviária integrada e capaz de competir com outros modais. O Parlamento enxerga isso com clareza”. 

Desafios distribuídos em toda a matriz 

Embora as ferrovias concentrem o maior índice de insatisfação, os demais setores também foram avaliados de forma crítica. De acordo com a pesquisa: 

  • Portos: 46% de avaliação negativa; 37,6% positiva 
  • Aeroportos regionais: 45% negativa; 33% positiva 
  • Rodovias: citadas por 29,4% dos parlamentares como o principal gargalo do país 
  • Hidrovias: ainda pouco exploradas, mas com percepção majoritariamente negativa 

A leitura conjunta desses dados indica que o Brasil enfrenta um conjunto de deficiências estruturais, e não um único problema central. Mesmo setores mais competitivos, como o portuário, seguem impactados por entraves como burocracia, falta de dragagem contínua, acessos precários e lentidão operacional. 

As rodovias, responsáveis por mais de 60% da matriz de transportes, permanecem como o entrave mais citado pelos parlamentares — reflexo de décadas de subinvestimento e de um modelo dependente de manutenção contínua, duplicações e concessões complexas. 

Agenda regulatória como entrave para investimentos 

Além da infraestrutura física, os deputados foram questionados sobre o ambiente regulatório. O levantamento mostra que 42,2% avaliam que as regras atuais de licenciamento ambiental representam obstáculos significativos para a implementação de novos projetos. Outros gargalos mencionados incluem: 

  • insegurança jurídica 
  • demora na liberação de obras 
  • instabilidade de marcos legais 
  • excesso de burocracia 

Quando convidados a apontar prioridades legislativas, os parlamentares destacaram: 

  • simplificação de processos regulatórios 
  • estímulo a concessões e parcerias público-privadas 
  • revisão de marcos legais considerados obsoletos 
  • redução de custos logísticos 
  • maior integração entre modais 

A combinação desses fatores evidencia que, para o Parlamento, modernizar a infraestrutura depende tanto de intervenções físicas quanto de um ambiente institucional mais previsível. 

Cenário político e impacto no debate sobre infraestrutura 

Durante a apresentação, Sperandio também contextualizou o momento político. Ele afirmou que, mesmo com as eleições no horizonte, há espaço para avanços estruturais — desde que as agendas sejam tratadas com pragmatismo e foco técnico. 

Segundo ele, “o Congresso vive um ano politicamente movimentado, com reacomodações partidárias e disputas regionais, mas isso não impede que temas de Estado avancem. A infraestrutura é um desses temas que costumam superar divisões ideológicas, porque tratam do futuro do país e da capacidade de gerar desenvolvimento sustentável”. 

Sperandio destacou ainda que o papel das frentes parlamentares e de instituições como o IBI ganha relevância em momentos de maior polarização, justamente por oferecerem ambientes técnicos de diálogo e construção de consensos. 

Metodologia da pesquisa 

O estudo foi realizado entre 12 e 18 de agosto, por meio de questionário estruturado distribuído a 109 deputados federais, pertencentes a 19 partidos. A amostra respeitou proporcionalidade partidária e regional, garantindo diversidade de visões. A pesquisa possui margem de erro de 3,5 pontos percentuais e 95% de confiança. As entrevistas foram conduzidas diretamente por pesquisadores do Ranking dos Políticos. 

Confira a pesquisa completa no link abaixo 

https://drive.google.com/drive/folders/1BPLUvIcvn-s-GpdlUiUKMUSNgzn-9k39

Localização:

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