Plataforma Éforo: Atuação propositiva da FPPA no Congresso

Cerimônia contou com o lançamento da ferramenta desenvolvida pelo Observatório de Dados do IBI para acompanhamento de atividades do Congresso Nacional voltadas a Infraestrutura de transportes   

O encerramento da cerimônia de Abertura do Ano Legislativo da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) teve como destaque a apresentação da plataforma Éforo – novo sistema de análise exclusiva do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI). 

Desenvolvida pelo Observatório de Dados do IBI, a plataforma Éforo tem como principal objetivo acompanhar, em tempo real, os inúmeros de projetos de lei e decisões em comissões que podem afetar diretamente portos, aeroportos, ferrovias, hidrovias, logística e investimentos no setor de infraestrutura de transportes. 

A apresentação foi conduzida pelo gerente do Observatório de Dados do IBI, Bruno Pinheiro, que afirmou que a proposta do Éforo é ajudar a FPPA e o Instituto a atuarem com mais antecedência — em vez de reagirem a mudanças já consolidadas no processo legislativo.  

“A ideia é virar a chave: sair do modo reativo, em que se corre atrás do prejuízo quando o projeto já está maduro, e passar a trabalhar de forma propositiva, desde o começo da tramitação”, disse Bruno, ao explicar o objetivo central da ferramenta. 

Com o Éforo, FPPA e IBI buscam transformar informação em capacidade real de intervenção: acompanhar comissões, compreender o timing político, antecipar riscos e oportunidades e, principalmente, atuar com mais consistência em uma agenda que, no Congresso, pode caminhar rapidamente entre o técnico e o político. 

Foco em infraestrutura 

Na prática, o Éforo funciona como uma plataforma de monitoramento legislativo desenhada para acompanhar projetos de lei que transitam por comissões temáticas e que tenham impacto sobre infraestrutura de transportes e ambiente regulatório.  

O diferencial, segundo o Bruno Pinheiro, é que a plataforma foi alimentada não apenas com buscas genéricas, mas com uma seleção inicial de proposições levantadas junto aos associados do IBI, dentro dos Comitês Temáticos da entidade — um movimento que, na avaliação do instituto, aproxima a ferramenta de necessidades reais do setor. 

O gerente do Observatório explicou que esse “municiamento” inicial foi um ponto-chave do projeto. “O Éforo foi abastecido com projetos de lei identificados pelos nossos associados dentro dos Comitês Temáticos. Isso faz a ferramenta refletir o que o setor está enxergando como risco ou oportunidade, e não apenas o que aparece em uma busca automática”, afirmou. 

O sistema, apresentado como ferramenta proprietária do IBI, organiza projetos de lei por temas e permite classificar cada proposta conforme o grau de impacto — com categorias como alto, médio e baixo risco, além de potencial de oportunidade. O objetivo é criar uma visão de portfólio legislativo: o que deve ser acompanhado de perto, o que demanda atuação institucional e o que pode ser tratado como pauta de rotina. 

Do monitoramento à ação 

Entre as funcionalidades destacadas na apresentação estão o acompanhamento de movimentações dentro da tramitação — como mudança de relatoria, despacho para novas comissões, inclusão em pauta e atualização de pareceres —, com envio de alertas para que a equipe e os envolvidos sejam informados rapidamente. 

“Não se trata só de ‘ver’ o projeto. A ferramenta foi pensada para transformar informação em ação: avisar quando algo muda, registrar responsáveis, criar tarefas e organizar o que precisa ser feito para cada proposição”, disse Bruno. Segundo ele, a ideia é sistematizar uma rotina que, muitas vezes, depende de acompanhamento manual e disperso, especialmente em semanas de pauta intensa. 

O Éforo também incorpora um modelo de gestão por tarefas, com organização inspirada em metodologias de trabalho usadas em ambientes de alta complexidade. Tudo possibilitado em um sistema visual de gestão de tarefas e fluxo de trabalho para acompanhamento de demandas.  

Isso permite registrar etapas como levantamento técnico, elaboração de nota, contato com gabinetes, articulação por relatoria e acompanhamento de votações — especialmente em comissões onde a dinâmica política pode mudar rapidamente, dependendo de acordos e prioridades do momento. 

A apresentação também ressaltou que a plataforma favorece a atuação antecipada na escolha e no diálogo com relatores, um ponto sensível na tramitação de matérias com forte impacto setorial. Ao monitorar comissões e indicar projetos ainda “sem dono”, a plataforma pode orientar esforços para que a FPPA e o IBI participem do debate antes que ele se feche em torno de um texto final. 

IA: Relevância e redução de “ruído” 

Outro eixo apresentado foi o uso de recursos de inteligência artificial para identificar proposições relevantes a partir de palavraschave e temas ligados ao setor — como portos, aeroportos, logística, infraestrutura e regulação. A ferramenta atribui um indicador de aderência (uma espécie de nota de relevância) para que a equipe priorize o que realmente tem relação com a agenda da FPPA e do IBI. 

Bruno reforçou que o Congresso produz um volume diário de proposições e movimentações que, sem filtragem, tende a gerar ruído e dispersão. “A nossa intenção é reduzir o excesso de informação e aumentar a capacidade de foco. A ferramenta ajuda a separar o que é ‘barulho’ do que pode mudar regra, custo, investimento e operação no setor”, afirmou. 

Do reativo ao propositivo 

Ao apresentar o Éforo durante a abertura do ano legislativo, a FPPA e o IBI também sinalizaram uma mudança de postura institucional. Em vez de atuar apenas quando um projeto vira crise — como ocorre com frequência em temas de tarifas, obrigações regulatórias ou restrições operacionais —, a proposta é construir uma atuação mais contínua, com base em dados, planejamento e estratégia. 

Para Bruno, a plataforma também tem um valor institucional: organizar conhecimento para qualificar o diálogo entre setor, parlamentares e governo. “Quando você chega cedo, com nota técnica, argumentos bem estruturados e uma leitura clara do processo, você deixa de apenas reagir. Você passa a ajudar a construir o caminho do projeto”, afirmou. 

Próximos passos  

A ferramenta foi apresentada como um projeto em evolução, com perspectiva de ser ampliada e disponibilizada aos associados em uma etapa posterior, à medida que as rotinas e classificações se consolidem. A estratégia, segundo o Observatório, é combinar o levantamento estruturado dos Comitês Temáticos — com a visão prática de quem está na operação — e as rotinas automáticas de acompanhamento legislativo. 

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