Prefeitos do Vale do Ribeira cobram inclusão de obras urbanas no novo contrato da Régis Bittencourt

Em audiência pública, gestores municipais relatam décadas de problemas estruturais às margens da BR-116 e pedem que soluções sejam contempladas nos investimentos previstos no novo modelo de concessão 

Durante a audiência promovida pelo presidente da Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA), deputado Paulo Alexandre Barbosa, na comissão de Viação e Transportes, prefeitos apresentaram problemas históricos enfrentados pelas cidades cortadas pela rodovia, como falta de acessos, passarelas, vias marginais, drenagem precária, isolamento de bairros, ausência de sinal de telefonia e gargalos urbanos.  

As cobranças se concentraram na inclusão dessas intervenções no novo modelo de concessão da Régis Bittencourt, que prevê mais de R$ 7 bilhões em investimentos. 

Um dos momentos centrais da audiência foi a manifestação dos prefeitos do Vale do Ribeira, que relataram dificuldades locais e cobraram maior participação dos municípios na construção das propostas. 

Samuel Moreira, prefeito de Registro, afirmou que a rodovia passou a dividir cidades e gerar situações incompatíveis com a dimensão do contrato. O chefe do Executivo ressaltou a articulação com o deputado para enviar 14 reivindicações ao Ministério dos Transportes ainda em 2024, antes de assumir o mandato. 

“O município foi cortado ao meio e convivemos com problemas inacreditáveis. Marginais terminam antes dos viadutos, moradores precisam retornar à pista principal e situações simples, que poderiam ser resolvidas com pequenos investimentos, ficaram de fora. Agradeço ao deputado, que tem demonstrado sensibilidade com relação a esse assunto”, afirmou. 

Luiz Koga, prefeito de Cajati, destacou que o município possui 70 quilômetros cortados pela BR-116 e concentra problemas históricos. “São 16 bairros cortados pela rodovia e apenas um possui acesso adequado. O município cresceu, tornou-se polo agroindustrial e industrial, mas a infraestrutura não acompanhou”, disse. 

Victor Maruyama, prefeito de Barra do Turvo, afirmou que o município sequer possui acessos regularizados. “Há escolas às margens da BR e pedidos importantes, como passarelas, continuam sem resposta. Bati em todas as portas. Fui recebido, mas sem solução. Essa audiência representa nossa esperança de sermos efetivamente ouvidos”, afirmou. 

O prefeito Professor Jessé destacou que Jacupiranga ainda depende de um único viaduto construído em 1960 para ligar os dois lados da cidade. “Já estive aqui em 2007 discutindo esse mesmo assunto. Nos feriados, o trânsito entra em colapso”, disse. 

Arteris aponta obras e reconhece desafios 

Representando a Arteris, o diretor-superintendente José Acácio afirmou que parte das demandas apresentadas pelos municípios já gerou reflexos nos estudos do novo contrato e confirmou o interesse da empresa em participar do processo competitivo. 

Segundo a concessionária, a Régis Bittencourt registra, em média, um tombamento a cada 22 horas e 10 minutos, situação que provoca interrupções no tráfego e impactos logísticos. 

“Barra do Turvo terá correção de traçado. A Serra do Cafezal, em Miracatu, também terá melhorias justamente para reduzir esses acidentes. Além disso, tenho previsto para os próximos dois meses R$ 18 milhões em pavimentação. Estamos correndo para colocar a conservação em dia após mudanças recentes em contratos de manutenção afetarem serviços de roçada no corredor entre Cajati e São Paulo”, afirmou. 

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