Relação portuária no Ceará e Transnordestina são destaques na tarde do Ceará Day

A tarde de trabalhos do Ceará contou com dois painéis. Tancagem no porto de Fortaleza, impactos da Transnordestina e ESG no porto de Pecém são debatidos

A segunda rodada de discussões do Ceará Day trouxe discussões importantes para a região e para o país. Ao todo, dois painéis foram realizados e contaram com debates voltados à relação entre os portos de Fortaleza e de Pecém, as obras da transnordestina e as oportunidades ESG na região. 

  

O primeiro painel da tarde tratou sobre a “Tancagem de Combustíveis nos portos do Ceará”. Os painelistas foram: Fernando Fialho – consultor e ex-diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ); Giovanni Paiva – Consultor; e Alex Trevizan – Diretor comercial da Transnordestina Logística S.A (TLSA). 

  

Em sua apresentação, Fialho explicou que há uma desproporcionalidade da capacidade de tancagem do Ceará, em relação aos estados vizinhos. Registrou que apenas 47% dos combustíveis consumidos no estado cearense entram pelo modal aquaviário. 

  

De acordo com o ex-diretor-geral da ANTAQ é preciso que haja uma expansão complementar da capacidade de tancagem no estado do Ceará, com integração entre os portos de Fortaleza e de Pecém. Argumentou ainda que a expansão de capacidade traz maior oferta de serviços resultando em maior concorrência em benefício do cidadão cearense. Defendeu também a promoção de um desenvolvimento sustentável e competitivo na região, uma vez que a infraestrutura é sempre indutora de desenvolvimento. 

  

“O Brasil é carente de infraestrutura, mas muito interessante para o mercado internacional. Ao longo dos anos, tivemos mudança de ministros e de nome de ministérios, mas todos os estudos produzidos só confirmam a mesma tese da importância da complementaridade de infraestrutura. Não por acaso, estados como Santa Catarina possuem diversos portos e terminais que, mesmo competindo, oferecem mais serviços, aumentando a economia da região e do país”, falou. 

  

Transnordestina 

  

Durante a sua apresentação no primeiro painel da tarde, Alex Trevizan, trouxe o panorama de obras da Transnordestina, ferrovia atualmente em construção, e que objetiva ligar os Portos de Fortaleza e de Pecém, no Ceará, e o Porto de Suape, em Pernambuco, até o Piauí, no município de Eliseu Martins. 

  

De acordo com o Diretor comercial da TLSA, as obras, que seguem com cronograma definido de apresentação, têm potencial para mudar o patamar do estado: “É uma ferrovia de alta capacidade e que demanda muitas obras. Hoje, o Ceará é um estado importador, mas, com as obras previstas de ferrovias e rodovias, tem o potencial de se tornar um exportador de commodities”, explicou.   

  

Vale ressaltar que o empreendimento é prioridade do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Atualmente, o projeto está com 75% de execução dentro da primeira fase. A estimativa de entrega desta etapa é até 2027. A entrega da segunda fase está prevista para 2029. O orçamento total é de quase R$ 15 bilhões. 

  

ESG  

  

O segundo e último painel do dia teve como título “Conectando o Ceará com a infraestrutura responsável via ESG” e foi ministrado pelo diretor comercial do Porto de Pecém, André Magalhães. O empresário falou sobre as instalações portuárias do terminal, que possui uma área industrial de mais de 19 mil hectares e uma zona de processamento de exportação (ZPE) Ceará, a primeira a operar no Brasil. 

  

Explicou ainda sobre os volumes de contêineres também crescem fortemente à medida que o Pecém se torna a principal porta de entrada para o Ceará e um hub de transbordo para o Brasil, conectando rotas marítimas de longo curso e de cabotagem. 

  

Contudo, o principal destaque do Porto é a sua infraestrutura robusta e localização geográfica privilegiada, destacando-se como a casa do Hidrogênio Verde (H2V) no Brasil, abrigando os primeiros projetos do setor no país. 

  

De acordo com André Magalhães, para receber as empresas que produzirão hidrogênio verde no Pecém, a estrutura do Complexo e do Porto será modernizada. Para isso, será criado um corredor de utilidades por onde circularão os dutos de amônia, gás natural, hidrogênio, água e a rede de energia elétrica.  

  

Durante a sua palestra, o diretor comercial trouxe algumas oportunidades de negócios que o Complexo de Pecém vem discutindo com empresários do ramo de energia verde.  

  

“Estamos analisando várias oportunidades neste mercado. Já fomos avisados de que armadores estão fazendo navios já sendo movidos a amônia. Metanol e SAF também são apostas que estamos fazendo e outras oportunidades como o aço verde. Temos conversando com uma empresa que quer importar o minério de ferro compactado para substituir a sucata”, comentou.   

  

Parceria 

  

As falas finais do dia couberam ao secretário Executivo Adjunto do Ministério de Portos e Aeroportos, Fábio Lavor, que acompanhou os trabalhos e comentou sobre a parceria entre o governo, FPPA e IBI na promoção de eventos como o Ceará Day. 

 
“Todos sabem que temos uma parceria importante com a Frente e com o Instituto. A partir dela podemos promover eventos como este, que trazem várias autoridades, parceiros do mercado e representantes do legislativo. Para nós, formuladores de políticas públicas, é crucial esse tipo de encontro”, argumentou. 

 

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